O filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda não pode ser exibido comercialmente nos cinemas brasileiros porque não cumpriu todas as etapas de certificação exigidas pela legislação. A informação será encaminhada pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) à Polícia Federal, segundo apuração da jornalista Brasília Rodrigues, do SBT News.
A PF enviou uma série de questionamentos à agência reguladora e aguarda as respostas até a próxima semana. As perguntas fazem parte de um inquérito sigiloso que investiga suspeitas relacionadas ao financiamento da produção e à possível ocorrência de crimes financeiros.
De acordo com o SBT News, os investigadores querem saber se o projeto recebeu recursos públicos, inclusive por meio de fundos ou emendas parlamentares. A PF também solicitou a identificação das pessoas e empresas envolvidas na produção e na distribuição, além de informações sobre a adequação do filme às normas brasileiras.
Até o momento, a Ancine concedeu apenas o Registro de Obra Estrangeira (ROE). Esse documento representa a primeira etapa do processo e indica somente a intenção de exibir uma produção estrangeira no país. O registro tem caráter declaratório e não equivale à autorização para lançamento nas salas de cinema.
Para chegar ao circuito comercial, “Dark Horse” ainda precisa obter o Certificado de Registro de Título (CRT), emitido pela própria Ancine, e a classificação indicativa do Ministério da Justiça. Segundo a reportagem, os produtores ainda não solicitaram essas autorizações, e não existe previsão para a conclusão do processo.
A produção também deverá apresentar contratos, informações sobre a divisão dos direitos e das receitas e um plano detalhado de lançamento, abrangendo toda a cadeia de exploração comercial da obra no Brasil.
Integrantes do governo ouvidos pelo SBT News avaliam que o filme ainda está distante de receber autorização. A demora seria consequência da falta de informações completas sobre sua estrutura de produção, financiamento e distribuição.

