Brasília, 25/08/2026

Zema promete reduzir juros e anistiar condenados pelo 8 de Janeiro

O candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, prometeu promover um ajuste nas contas públicas para reduzir a taxa básica de juros dos atuais 14% para 6% ao ano. Ele também defendeu a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, rejeitou a vacinação obrigatória de crianças e afirmou que pretende multiplicar por dez o número de escolas de tempo integral no país.

As declarações foram dadas na noite desta segunda-feira (24), durante entrevista à TV Globo, transmitida também pela GloboNews e pelo g1. Zema abriu a série de entrevistas da emissora com os candidatos à Presidência da República.

O ex-governador de Minas Gerais afirmou que a queda dos juros seria alcançada por meio de controle dos gastos públicos, combate à corrupção e às fraudes e aumento da eficiência do Estado. Não detalhou, porém, quais despesas seriam cortadas nem como conseguiria levar a Selic a 6%.

Zema calculou que a redução dos juros poderia gerar uma economia de R$ 800 bilhões por ano. Na política para o salário mínimo, garantiu a reposição integral da inflação, mas condicionou a concessão de aumentos reais ao desempenho da economia.

Questionado sobre o crescimento da dívida pública mineira durante seus quase oito anos de governo, o candidato atribuiu o resultado a débitos antigos e aos juros cobrados pela União. Segundo ele, sua administração não contratou novos empréstimos, pagou R$ 23 bilhões a aposentados e R$ 13 bilhões ao governo federal e a servidores.

Zema disse ainda que recebeu Minas Gerais com déficit de R$ 11 bilhões, em 2018, e deixou o estado com superávit de R$ 5 bilhões. Para o candidato, esses números demonstram que o ajuste fiscal foi realizado durante sua gestão.

Na área social, afirmou que não pretende inicialmente elevar a idade mínima para aposentadoria. Eventuais alterações nas regras previdenciárias, inclusive para trabalhadores rurais e militares, dependeriam da situação fiscal, da expectativa de vida da população e da formalização do mercado de trabalho.

Sobre educação, Zema prometeu ampliar em dez vezes o número de escolas de tempo integral durante um eventual mandato. Ele citou como referência sua passagem pelo governo mineiro, período em que, segundo afirmou, a quantidade de escolas estaduais com ensino médio integral subiu de cerca de 70 para mais de 800.

Na segurança pública, o candidato voltou a elogiar os resultados obtidos pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, na redução dos homicídios. Zema disse que algumas medidas salvadorenhas poderiam inspirar o Brasil, desde que fossem adaptadas às leis brasileiras e não envolvessem a suspensão de direitos.

O candidato afirmou que o país poderia construir mais presídios e manter criminosos por mais tempo “atrás das grades”. Ressaltou, entretanto, que não concorda com medidas de exceção adotadas por Bukele.

Em relação aos condenados pelo 8 de Janeiro, Zema classificou os julgamentos realizados pelo Supremo Tribunal Federal como “nitidamente políticos” e prometeu conceder anistia se chegar à Presidência. Para ele, os envolvidos deveriam responder apenas por crimes como vandalismo e depredação.

Zema também declarou confiar nas urnas eletrônicas, lembrando que foi eleito por meio do atual sistema. Apesar disso, defendeu a adoção do voto impresso como forma de aperfeiçoar o processo eleitoral.

Ao tratar da vacinação infantil, o candidato disse acreditar na ciência, ter tomado todas as doses contra a Covid-19 e recomendar a imunização. Posicionou-se, porém, contra a obrigatoriedade, sob o argumento de que famílias e crianças não devem ser perseguidas pela recusa à vacina. Para Zema, o governo deve priorizar campanhas de conscientização.

No enfrentamento à violência contra as mulheres, defendeu mais delegacias especializadas, casas de acolhimento e o uso de tornozeleiras eletrônicas capazes de alertar automaticamente a polícia quando o agressor se aproximar da vítima. Também propôs ações educativas nas escolas.

Confrontado com o aumento dos feminicídios em diferentes anos de sua administração, Zema respondeu que ocorreram “repiques”, mas sustentou que a tendência geral foi de queda e que Minas Gerais manteve índices inferiores à média nacional.

O candidato reafirmou ainda sua intenção de privatizar empresas federais. Embora não tenha conseguido vender a Cemig, disse ter negociado 118 empresas ou participações estaduais, além de citar a privatização da Copasa e a valorização das duas companhias durante sua gestão.

Sobre a redução dos recursos destinados à informação e à inteligência em Minas Gerais, Zema argumentou que algumas despesas podem ter sido registradas em outras rubricas e que os custos de implantação de sistemas normalmente são maiores do que os de manutenção. Segundo ele, o resultado mais importante foi a redução da criminalidade no estado.

Por fim, ao comentar a Operação Rejeito, que investigou crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro em Minas, Zema repudiou os envolvidos e defendeu investigação, prisão e punição. Segundo o candidato, uma estrutura com mais de 300 mil servidores pode apresentar “algumas frutas podres”, sem que isso represente toda a administração.

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