Brasília, 28/08/2026

Quaest: 78% apontam erro do governo Ibaneis no caso BRB-Master

A tentativa do Banco de Brasília (BRB) de comprar o Banco Master foi conduzida de maneira incorreta pelo governo Ibaneis Rocha (MDB), segundo 78% dos eleitores do Distrito Federal entrevistados pela Quaest. A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (27). Apenas 7% consideram que o governo agiu corretamente na administração do banco público durante a operação. Outros 15% não souberam ou preferiram não responder.

O levantamento também mostra que o caso alcançou ampla repercussão entre os brasilienses: 86% afirmaram ter conhecimento das notícias envolvendo o BRB e o Master, enquanto 14% disseram desconhecer o assunto.

A negociação começou em março de 2025, quando o Conselho de Administração do BRB aprovou uma proposta de R$ 2 bilhões pela aquisição de 58% do capital do Banco Master, então comandado pelo empresário Daniel Vorcaro.

A operação provocou questionamentos do Ministério Público do Distrito Federal, do Ministério Público de Contas e do Tribunal de Justiça do DF. Em maio de 2025, porém, recebeu a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A Câmara Legislativa do Distrito Federal também aprovou uma lei autorizando a transação. O texto foi posteriormente sancionado pelo governador Ibaneis Rocha.

Em setembro de 2025, o Banco Central rejeitou a compra. A negociação passou ainda a integrar as investigações da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal para apurar um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras relacionado ao Master e a Daniel Vorcaro.

Maioria quer BRB como banco público

Apesar da avaliação negativa sobre a tentativa de aquisição do Master, a maioria dos entrevistados é contrária à privatização do BRB.

Para 66%, o Governo do Distrito Federal deve permanecer como controlador da instituição. Outros 21% defendem a venda do banco à iniciativa privada, enquanto 13% não souberam ou não quiseram responder.

Os números mostram uma distinção entre a avaliação da operação e a posição dos eleitores sobre o futuro do BRB. Embora rejeite a maneira como a negociação com o Master foi conduzida, a maioria deseja que o banco continue sob o controle do governo local.

Eleitores não acreditam na punição

A pesquisa também identificou forte desconfiança em relação às consequências das investigações. Caso a Polícia Federal encontre crimes nas relações entre BRB e Master, 64% acreditam que os responsáveis não serão punidos.

Outros 31% avaliam que os culpados sofrerão punições, e 5% não souberam ou preferiram não responder.

A Quaest ouviu 1.104 eleitores do Distrito Federal entre os dias 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números DF-06256/2026 e BR-02403/2026.

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