Brasília, 10/09/2026

Kamila Valieva perde status de atleta neutra e a fica fora das competições internacionais

A patinadora artística russa Kamila Valieva sofreu novo golpe em sua tentativa de reconstruir a carreira. A União Internacional de Patinação (ISU) revogou o status de atleta neutra concedido à competidora de 20 anos, impedindo sua participação nas disputas internacionais organizadas pela entidade.

A decisão foi confirmada nesta quinta-feira (10) pela ISU. Valieva havia recebido a autorização em agosto, mas permaneceu habilitada durante menos de um mês. Sem o reconhecimento como atleta neutra, ela poderá disputar competições internas na Rússia, mas não terá acesso ao circuito internacional.

O veto também atingiu o patinador Mark Kondratiuk, campeão europeu em 2022, e a dupla de dança no gelo formada por Alexandra Stepanova e Ivan Bukin. Os quatro participaram dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2022.

A ISU não informou publicamente qual exigência teria sido descumprida por Valieva. A entidade afirmou apenas que as avaliações seguem os critérios definidos para a concessão do status de Atleta Individual Neutro.

Desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, os patinadores russos e bielorrussos estão impedidos de representar oficialmente seus países nas competições internacionais. A participação somente é permitida individualmente, sem bandeira, uniforme nacional ou execução do hino.

Para obter a autorização, os atletas precisam demonstrar que não possuem vínculos com as Forças Armadas ou com órgãos de segurança da Rússia e que não manifestaram apoio público à guerra. A análise também leva em consideração questões relacionadas ao cumprimento das regras antidoping.

Segundo a Reuters, a ISU recebeu 234 pedidos de atletas e integrantes de equipes ligados à Rússia e à Belarus para a temporada internacional de 2026 e 2027. Todos passam por avaliação individual.

A Federação Ucraniana de Patinação havia solicitado recentemente maior rigor na concessão das autorizações. A entidade questionou a neutralidade de determinados atletas russos e pediu que fossem examinadas eventuais ligações com o governo de Vladimir Putin e manifestações favoráveis à guerra.

Não há, entretanto, confirmação oficial de que essa contestação tenha provocado a revogação do status de Valieva. A ISU mantém em sigilo os detalhes dos processos individuais.

O ministro dos Esportes da Rússia, Mikhail Degtyarev, classificou as decisões como injustificadas e anunciou que o governo dará apoio jurídico aos atletas. Caso os recursos internos sejam rejeitados, os patinadores poderão recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte, o CAS.

A Associated Press informou que Valieva e os demais competidores ainda têm direito de contestar formalmente a decisão. Até a conclusão dos recursos, contudo, eles permanecem excluídos das competições internacionais.

O novo afastamento ocorre poucos meses depois de Valieva retornar às pistas, após cumprir suspensão de quatro anos por doping. A punição foi determinada pelo CAS em janeiro de 2024 e aplicada retroativamente a 25 de dezembro de 2021.

A patinadora testou positivo para trimetazidina, medicamento utilizado no tratamento de problemas cardíacos e proibido pela Agência Mundial Antidoping. O exame foi realizado durante o Campeonato Russo de 2021, quando Valieva tinha 15 anos.

O resultado somente foi divulgado durante os Jogos de Pequim, depois de a jovem liderar a equipe russa na conquista da prova por equipes. O caso provocou uma longa disputa judicial e se transformou em um dos maiores escândalos da história recente da patinação artística.

Com a condenação definitiva, todos os resultados obtidos por Valieva a partir da data do teste foram anulados. A Rússia perdeu o ouro olímpico da competição por equipes, posteriormente entregue aos Estados Unidos, enquanto o Japão ficou com a medalha de prata e os russos foram rebaixados para o bronze.

A suspensão terminou no fim de 2025, e Valieva retomou os treinamentos e as competições nacionais. Em fevereiro deste ano, participou do Campeonato Russo de Saltos e voltou a executar movimentos de alta dificuldade, entre eles saltos quádruplos.

A concessão do status neutro, em agosto, abria pela primeira vez a possibilidade de retorno efetivo ao circuito mundial. A revogação interrompe novamente esse caminho e mantém a carreira internacional da patinadora cercada por incertezas.

Valieva também trava outra disputa judicial. Ela recorreu à Corte Europeia de Direitos Humanos contra a Suíça, país onde está sediado o CAS, sob a alegação de que seus direitos foram violados durante o processo que confirmou a suspensão por doping.

Considerada uma das maiores revelações da patinação artística antes do escândalo de Pequim, Valieva volta agora a depender dos tribunais esportivos. Enquanto não recuperar o status de atleta neutra, seu retorno ficará limitado às pistas russas, longe dos principais campeonatos internacionais.

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