Os Estados Unidos marcaram nesta sexta-feira (11) os 25 anos dos atentados de 11 de setembro de 2001 com cerimônias em Nova York, no Pentágono e em Shanksville, na Pensilvânia. Segundo a Associated Press, as homenagens recordaram as quase 3 mil pessoas mortas nos ataques e também os socorristas e moradores que adoeceram após a exposição à poeira tóxica do World Trade Center.
A principal cerimônia ocorreu no Marco Zero, em Manhattan, onde familiares fizeram a leitura dos nomes das vítimas. O ato começou às 8h46, horário em que o primeiro avião sequestrado pela rede terrorista Al-Qaeda atingiu a Torre Norte do World Trade Center.
De acordo com o The New York Times, outros momentos de silêncio assinalaram o choque do segundo avião contra a Torre Sul, o ataque ao Pentágono, a queda das duas torres e a colisão do voo 93 em um campo próximo a Shanksville. Passageiros dessa aeronave reagiram aos sequestradores e impediram que o avião atingisse outro alvo em Washington.
Neste 25º aniversário, a cerimônia incorporou pela primeira vez um sétimo momento de silêncio, dedicado às pessoas que morreram de câncer, doenças respiratórias e outros problemas relacionados aos atentados. A homenagem ocorreu depois da leitura dos nomes e passará a integrar permanentemente a cerimônia anual, segundo o Memorial e Museu Nacional do 11 de Setembro.
A novidade ampliou o reconhecimento de que o número de vítimas continuou crescendo muito depois de 2001. O Memorial informa que aproximadamente 152 mil pessoas estão inscritas no programa federal de acompanhamento e tratamento de sobreviventes e trabalhadores que participaram das operações de resgate, recuperação e limpeza.
A Reuters destacou que mais de 600 integrantes do Corpo de Bombeiros de Nova York morreram, desde os atentados, de enfermidades relacionadas ao trabalho realizado no Marco Zero. O número já supera o contingente de bombeiros mortos diretamente no desabamento das torres.
A dimensão sanitária ganhou ainda mais espaço nas homenagens depois da divulgação de cerca de 170 mil páginas de documentos sobre a qualidade do ar em Manhattan após os ataques. Segundo o The New York Times, os registros levantam dúvidas sobre as garantias dadas pelas autoridades de que a região poderia ser ocupada com segurança.
Os documentos indicam que a pressa para reabrir o sul de Manhattan e permitir a retomada das atividades de Wall Street pode ter levado autoridades a minimizar os riscos provocados pela poeira e pelos resíduos tóxicos. Socorristas, trabalhadores da limpeza e moradores permaneceram expostos ao material durante semanas ou meses.
O vice-presidente JD Vance representou o governo na cerimônia de Nova York, que reuniu os ex-presidentes Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Joe Biden. A presença dos quatro ex-presidentes vivos deu dimensão nacional às homenagens realizadas no Marco Zero, conforme registraram a Reuters e a Associated Press.
O presidente Donald Trump participou da cerimônia no Pentágono, onde 184 pessoas morreram quando o voo 77 da American Airlines atingiu o edifício. Acompanhado da primeira-dama, Melania Trump, ele participou da leitura dos nomes das vítimas e exaltou a capacidade de resistência dos Estados Unidos.
Segundo a Associated Press, Trump também relacionou o legado do 11 de Setembro às atuais ameaças à segurança americana e à política dos Estados Unidos no Oriente Médio. A utilização da cerimônia para abordar conflitos atuais introduziu um componente político em um dia tradicionalmente dedicado à memória das vítimas.
Em Shanksville, parentes voltaram a lembrar a reação dos passageiros e tripulantes do voo 93. Conforme a cobertura da imprensa americana, o avião caiu antes de alcançar o provável alvo dos sequestradores, que poderia ser o Capitólio ou a Casa Branca.
Os atentados foram executados por 19 integrantes da Al-Qaeda. Dois aviões atingiram as torres do World Trade Center, um terceiro foi lançado contra o Pentágono e o quarto caiu na Pensilvânia. Ao todo, 2.977 vítimas morreram naquela manhã, sem contar os sequestradores, segundo os dados oficiais do Memorial do 11 de Setembro.
Os nomes dessas vítimas e das seis pessoas mortas no atentado de 1993 contra o World Trade Center foram lidos durante a cerimônia em Nova York. Cerca de 140 familiares participaram da leitura, que se estendeu por aproximadamente quatro horas, de acordo com o The New York Times.
O ataque levou o governo de George W. Bush a declarar a chamada “guerra ao terror”. Os Estados Unidos invadiram o Afeganistão ainda em 2001, derrubaram o regime Talibã e iniciaram uma campanha militar que se prolongaria por duas décadas.
Em 2003, o país invadiu o Iraque, embora não tenha sido comprovada a participação do governo iraquiano nos atentados. A guerra provocou profundas divisões dentro dos Estados Unidos e comprometeu a imagem do país em diferentes regiões do mundo.
O 11 de Setembro também provocou a maior reorganização do sistema de segurança americano desde a Segunda Guerra Mundial. O governo criou o Departamento de Segurança Interna, reforçou a fiscalização nos aeroportos e ampliou os poderes das agências de inteligência.
Essas medidas ajudaram a evitar novos ataques de dimensão semelhante, mas abriram debates sobre vigilância, tortura, prisões clandestinas e restrições às liberdades civis. A Associated Press lembrou que comunidades muçulmanas e pessoas de origem árabe passaram a enfrentar maior discriminação e desconfiança depois dos atentados.
A morte de Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, em uma operação militar americana no Paquistão, em 2011, encerrou um dos capítulos centrais da perseguição aos responsáveis pelos ataques. Não eliminou, entretanto, os grupos extremistas nem os efeitos políticos das guerras iniciadas depois de 2001.
Um quarto de século mais tarde, a cobertura dos jornais americanos mostrou uma ampliação do olhar sobre a tragédia. As homenagens continuam concentradas nas pessoas mortas naquela manhã, mas agora abrangem também as consequências sanitárias, as guerras, os custos econômicos e as restrições impostas em nome da segurança.
Outro desafio é transmitir essa história às novas gerações. O Memorial e Museu Nacional do 11 de Setembro estima que cerca de 100 milhões de americanos nasceram depois dos ataques ou eram jovens demais para guardar lembranças daquele dia.
Ao anoitecer, dois feixes de luz voltaram a ser projetados sobre Manhattan, reproduzindo simbolicamente a posição das Torres Gêmeas. A instalação, conhecida como “Tribute in Light”, tornou-se uma das principais imagens das homenagens anuais.
O monumento resume a mensagem predominante neste 25º aniversário: o 11 de Setembro deixou de ser apenas a memória de uma manhã de terror e se tornou uma história cujas consequências, para milhares de famílias e para a própria sociedade americana, ainda não terminaram.



