A candidata à reeleição ao Governo do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que nenhuma autoridade deve ficar livre de investigação quando houver fatos a esclarecer. A declaração foi dada durante sabatina ao SBT News, nesta quarta-feira (16), ao ser questionada sobre uma possível apuração envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Embora não tenha citado diretamente o nome de Moraes, Celina sustentou que as investigações devem alcançar qualquer pessoa, independentemente de partido, cargo ou posição no sistema de Justiça.
“Ninguém está acima do bem e do mal. Todas as pessoas que tiverem alguma coisa a ser investigada, respondida, precisam ser investigadas, independentemente de sigla partidária ou de posição hierárquica ou jurídica”, declarou.
A manifestação ocorreu um dia depois de o STF suspender o julgamento relacionado às mensagens atribuídas a conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A análise foi interrompida após o ministro Flávio Dino pedir vista do processo.
Celina também defendeu o aprofundamento das investigações sobre as operações financeiras do Banco Master. Segundo ela, a apuração precisa acompanhar o destino dos recursos para identificar eventuais beneficiários.
“O escândalo do Master pega todas as siglas partidárias, pega o PT, pega vários estados. E eu sempre falo que, no caso, tem que se seguir o dinheiro. Se seguir o dinheiro, vai saber quem foram as pessoas beneficiadas”, afirmou.
A candidata disse esperar que, depois das eleições, as tensões entre os Poderes diminuam e o país retome o que classificou como normalidade institucional.
Durante a entrevista, Celina também defendeu a concessão de anistia aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Para ela, o assunto deverá ser revisto caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente.
“Eu acredito que a anistia é um passo importante para se fazer justiça a milhares de famílias”, disse.
Celina afirmou ter acompanhado a situação dos presos e alegou que algumas pessoas condenadas não participaram diretamente da invasão e da depredação dos prédios públicos. Advogada, ela sustentou ainda que existem possíveis nulidades nos processos.
“Do ponto de vista de nulidade, você tem vários aspectos de nulidade desses processos que aconteceram no dia 8 de janeiro”, declarou.
Apesar de classificar o vandalismo como “inadmissível”, a candidata rejeitou a interpretação de que os ataques tenham resultado de uma ação organizada.
“Eu, que estava aqui, acompanhei muito de perto. Foi um vandalismo, não foi um ato orquestrado, e isso realmente é inadmissível, qualquer tipo de vandalismo”, afirmou.
Celina também criticou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e defendeu uma revisão do caso na hipótese de vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.
“Deixar um presidente da República preso, sem ter uma prova realmente robusta, eu acredito também que é um prejuízo institucional e um prejuízo do ponto de vista daquilo que se fala do devido processo legal”, declarou.


