Brasília, 19/09/2026

The Guardian: Lula amplia benefícios às vésperas da eleição

A duas semanas do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família e prometeu distribuir gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde injeções para emagrecimento. As medidas provocaram críticas da oposição, que acusa o governo de usar programas públicos para tentar conquistar votos.

Segundo o jornal britânico The Guardian, o benefício mensal passará do equivalente a 98 libras para 113 libras. O novo valor começará a ser pago em 19 de outubro, seis dias antes do provável segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.

Lula afirma que a mudança não representa propriamente um aumento, mas uma correção destinada a repor a inflação acumulada e preservar o poder de compra das famílias mais pobres. O Bolsa Família alcança cerca de 50 milhões de brasileiros, dos quais aproximadamente 27 milhões estão em idade de votar.

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, classificou o anúncio como um “ato de desespero” e acusou Lula de tentar “comprar os votos dos pobres”. A campanha governista, por sua vez, argumenta que o benefício estava há quatro anos sem reajuste e que a correção será permanente.

A reportagem lembra que Jair Bolsonaro também ampliou benefícios sociais às vésperas da eleição de 2022. Na ocasião, elevou em 50% o valor do programa de transferência de renda e criou pagamentos temporários para taxistas e caminhoneiros. O conjunto de medidas ficou conhecido como “pacote kamikaze” por causa do impacto sobre as contas públicas.

A jornalista Miriam Leitão avaliou que tanto Bolsonaro quanto Lula agiram movidos por interesses eleitorais, mas apontou diferenças entre os dois episódios. O aumento anunciado agora apenas recompõe a inflação e não tem prazo para acabar, enquanto parte dos benefícios concedidos por Bolsonaro era temporária e terminaria depois das eleições.

O pesquisador Victor Escobar, ouvido pelo Guardian, também reconheceu a motivação eleitoral das medidas de Lula, mas considerou o pacote de Bolsonaro mais irresponsável do ponto de vista orçamentário. Para ele, é previsível que um presidente candidato à reeleição utilize instrumentos permitidos pela legislação para melhorar seu desempenho nas pesquisas.

Especialistas em direito eleitoral afirmam que a reposição da inflação não é, em princípio, ilegal. Mesmo assim, o candidato Renan Santos recorreu à Justiça Eleitoral para tentar suspender o reajuste até a posse do próximo presidente.

Flávio Bolsonaro não acompanhou a iniciativa. De acordo com a reportagem, sua campanha teme que uma ação contra o aumento do Bolsa Família provoque reação negativa entre os milhões de eleitores atendidos pelo programa.

O quadro descrito pelo Guardian mostra o dilema central da disputa: Lula tenta recuperar espaço eleitoral reforçando políticas sociais associadas à sua trajetória, enquanto seus adversários procuram denunciar o caráter eleitoral dos anúncios sem se colocar contra benefícios populares.

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