O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou o discurso de terça-feira (22) na Assembleia Geral da ONU para defender a guerra contra o Irã e advertir que poderá ampliar a ofensiva caso não haja um acordo. Também prometeu empregar o poder militar americano para proteger os interesses de Washington nas Américas e intensificar o combate aos cartéis de drogas. Ao mesmo tempo, disse acreditar que uma negociação com Teerã ainda é possível.
O Irã ocupou o centro do pronunciamento. Trump afirmou que jamais permitirá ao país obter uma arma nuclear, defendeu as operações militares já realizadas e apresentou a negociação e uma escalada da guerra como os dois caminhos à sua frente. Segundo a Reuters, enquanto ele falava, representantes americanos e iranianos mantinham contatos indiretos por meio de mediadores à margem da Assembleia. As Forças Armadas iranianas rejeitaram a ameaça feita pelo presidente.
Na América Latina, Trump comparou os cartéis ao Estado Islâmico e disse que os Estados Unidos continuarão a agir contra essas organizações. Apontou a operação americana que levou à prisão de Nicolás Maduro como exemplo de sua política para a região e afirmou que, se considerar necessário, usará a força para defender interesses nacionais. Também chamou o México de centro da violência ligada aos cartéis e fez novas críticas a Cuba. A síntese do discurso publicada pela ONU registra essas declarações como posições do presidente americano, não como anúncio de uma operação específica contra o Brasil.
Sobre a Ucrânia, Trump afirmou que mantém contato com os líderes russo e ucraniano e voltou a prever um desfecho próximo para a guerra, sem apresentar um prazo ou os termos de um acordo. Ele também atribuiu a seu governo a solução de outros conflitos, incluindo a guerra em Gaza. São resultados reivindicados por Trump em seu discurso.
O presidente anunciou ainda que os Estados Unidos ampliarão sua presença militar na Groenlândia por meio de um acordo com a Dinamarca e o governo local. Na parte dedicada à ONU, defendeu cortes de gastos e pessoal, atacou o Tribunal Penal Internacional e acusou organismos multilaterais de promover uma agenda política sem respaldo dos eleitores. Ao falar de tecnologia, propôs chamar a inteligência artificial de “superinteligência” e disse que não pretende frear o desenvolvimento do setor.
O discurso reuniu ameaças militares e promessas de negociação. Trump apresentou os Estados Unidos como protagonistas na solução de conflitos, mas deixou sem resposta as questões decisivas sobre o Irã: se haverá um acordo, em que condições ele seria firmado e até onde Washington está disposto a levar a guerra caso as conversas fracassem.

