A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) criticaram nesta quinta-feira (1º) as decisões judiciais que levaram ao cancelamento do debate presidencial da TV Globo. Em nota conjunta, classificaram a interferência nas regras do encontro como “uma agressão à liberdade de imprensa”.
As entidades manifestaram solidariedade à emissora e afirmaram que as decisões desrespeitaram regras acertadas havia meses com os partidos. Também sustentaram que o cancelamento prejudicou o direito dos cidadãos de conhecer as propostas dos candidatos convidados que haviam concordado em participar.
Segundo a CNN Brasil, a Globo cancelou o debate, previsto para a noite desta quinta-feira, após três decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A emissora alegou que as mudanças provocaram insegurança jurídica.
Uma das decisões, da ministra Estella Aranha, do TSE, atendeu a um pedido da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e proibiu perguntas dirigidas ao púlpito vazio identificado com a foto do candidato.
A Globo argumentou que a medida invalidou a regra sobre candidatos ausentes. De acordo com a emissora, a ata assinada por todos os partidos, inclusive o PT, previa a manutenção do púlpito vazio no cenário, com uma placa de identificação.
Outra decisão, do ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a participação de Renan Santos, do partido Missão. Ao contestar a medida, a emissora afirmou que o convite obrigatório se aplica aos candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional.
A terceira decisão, do presidente do TSE, Nunes Marques, assegurou a participação de Romeu Zema (Novo). Segundo o relato, a medida alterou o entendimento do tribunal sobre a contagem de parlamentares para definir o direito de participação nos debates.
Íntegra da nota
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) se solidarizam com a TV Globo e manifestam profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas que levou ao cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno.
As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos.
Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate.
Brasília, 1º de outubro de 2026.
Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão
Associação Nacional de Editores de Revistas
Associação Nacional de Jornais


