Os Estados Unidos planejam transmitir ao vivo a execução por fuzilamento de Nidal Malik Hasan, ex-major e psiquiatra do Exército condenado pelo ataque que matou 13 pessoas na base de Fort Hood, no Texas, em 2009. A execução está marcada para 3 de dezembro, no mesmo local do massacre.
O plano foi confirmado pelo Pentágono nesta quinta-feira (8). Segundo a Reuters, um funcionário do departamento informou que haverá transmissão ao vivo, mas que os detalhes serão apresentados posteriormente. Ainda não foram divulgadas a plataforma nem as condições de acesso às imagens.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, havia anunciado que o público poderia acompanhar a execução. O presidente Donald Trump autorizou o cumprimento da sentença. Se realizada, será a primeira execução pelas Forças Armadas americanas desde 1961.
Hasan foi condenado à morte em 2013. O ataque deixou também 32 feridos. A gravidade do massacre, porém, não encerra a discussão sobre a decisão do governo de expor publicamente o momento em que o Estado mata um condenado.
A transmissão acrescenta uma dimensão de espetáculo à pena de morte. A imagem de um pelotão de fuzilamento diante de uma audiência conectada pela internet aproxima a tecnologia contemporânea da lógica das antigas execuções públicas: a morte apresentada como demonstração de poder e advertência coletiva.
Nos Estados Unidos, a última execução pública legalmente autorizada ocorreu em 1936. A proposta atual recoloca em discussão uma prática abandonada há nove décadas, agora com possibilidade de alcançar espectadores muito além do local da execução.
Elisabeth Semel, codiretora da clínica de pena de morte da Universidade da Califórnia em Berkeley, questionou, em entrevista à Associated Press, a motivação do governo para promover a exibição. A especialista apontou preocupações com a dignidade do condenado, com quem poderá assistir e com os objetivos políticos de transformar a execução em espetáculo.
As avaliações não são unânimes. A professora Deborah Denno, da Universidade Fordham, afirmou à mesma agência que a transmissão poderia aumentar a transparência e permitir ao público conhecer a realidade da pena capital. Essa posição expõe outra questão: mostrar a violência do Estado pode estimular seu questionamento, mas também pode banalizá-la.
O calendário ainda pode mudar. O especialista em direito militar Eugene Fidell, da Universidade Yale, explicou à AP que uma contestação na Justiça civil poderia adiar o cumprimento da sentença.
O anúncio, entretanto, já impõe um debate que ultrapassa o caso de Hasan. Ao preparar uma execução para transmissão ao vivo, o governo americano propõe que a morte de uma pessoa se torne um acontecimento público acompanhado pelas telas. A tecnologia é do século XXI; a lógica do castigo como espetáculo remete a um passado de barbárie.

