Brasília, 11/10/2026

Queimadas no Amazonas levam governo a reforçar combate com 11 aeronaves

O avanço dos incêndios florestais no Amazonas levou o governo federal a mobilizar 11 aeronaves para combater as chamas, enquanto a fumaça compromete a qualidade do ar e provoca problemas respiratórios. Após sobrevoar áreas atingidas neste domingo (11), João Paulo Capobianco (foto), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, afirmou que encontrou uma situação mais grave do que esperava.

Segundo reportagem do g1 e da Rede Amazônica, a comitiva identificou numerosos focos de incêndio no interior de áreas preservadas. Para Capobianco, a localização desses pontos indica que o problema vai além do fogo iniciado em pastagens que depois se espalha pela mata.

O representante do ministério afirmou que a presença de focos isolados em locais de difícil acesso aponta para ações intencionais de degradação da floresta, com o objetivo de preparar áreas para futuro desmatamento. A avaliação foi apresentada durante entrevista coletiva na Base Aérea de Manaus, depois do sobrevoo na região de Autazes.

Capobianco cobrou a identificação e a punição dos responsáveis e pediu que o governo estadual mobilize a Polícia Militar para atuar ao lado do Corpo de Bombeiros. Na avaliação dele, o combate às chamas precisa ser acompanhado de medidas contra a impunidade.

A operação federal contará com aviões Air Tractor, que já fazem lançamentos de água sobre as áreas atingidas, e duas aeronaves C-390, com início de atuação previsto para segunda-feira (12). Capobianco assegurou que as equipes e os equipamentos permanecerão no Amazonas até o controle dos focos que prejudicam a população de Manaus.

O reforço inclui uma força-tarefa de São Paulo, enviada neste domingo com 30 profissionais: 25 bombeiros militares e cinco integrantes da Defesa Civil estadual. A equipe leva drones, equipamentos especializados e 11 mil litros de retardante para apoiar o combate direto e conter a propagação do fogo.

Antes do sobrevoo, a comitiva federal participou de reuniões no Centro Integrado de Comando e Controle e na Superintendência da Zona Franca de Manaus para coordenar a resposta à crise. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, também participou da agenda.

A fumaça chegou a atrasar a decolagem da própria comitiva, prevista para o início da manhã, ao reduzir a visibilidade em Manaus. Pelo quarto dia consecutivo, a capital amanheceu encoberta pela poluição dos incêndios.

Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental, da Universidade do Estado do Amazonas, classificaram como “péssima” a qualidade do ar em Manaus e em outros cinco municípios da Região Metropolitana. Em Careiro, a concentração de partículas chegou a 301,2 microgramas por metro cúbico.
A Defesa Civil emitiu alerta severo, com orientação para uso de máscaras e redução da exposição ao ar livre. A Prefeitura de Manaus suspendeu as atividades e os eventos públicos externos previstos para domingo e segunda-feira.

Os efeitos da fumaça também aparecem nos serviços de saúde. Conforme a Secretaria de Estado de Saúde, foram registrados 82 atendimentos de urgência por problemas respiratórios associados à poluição entre os dias 1º e 8 de outubro.

Um decreto estadual abrange 36 municípios de diferentes regiões do Amazonas, entre eles Manaus, Autazes, Careiro, Apuí, Lábrea, Humaitá, Manicoré, Parintins e Tefé. A extensão das áreas atingidas aumenta a pressão por uma resposta conjunta dos governos federal e estadual.

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