Brasília, 12/10/2026

Execução ao vivo pode desgastar Trump, avalia especialista

A transmissão ao vivo do fuzilamento de Nidal Hasan, ex-major do Exército americano condenado por matar 13 pessoas em uma base militar no Texas, pode prejudicar a credibilidade dos Estados Unidos na defesa dos direitos humanos. A avaliação foi apresentada ao SBT News pelo professor Alexandre Coelho, coordenador da pós-graduação em Política e Relações Internacionais da Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Segundo o especialista, não há estudos robustos que comprovem que execuções públicas reduzam a criminalidade ou previnam ataques terroristas. A exposição da morte de um condenado, afirmou, pode atrair espectadores pelo interesse no espetáculo, sem produzir o efeito de intimidação pretendido pelas autoridades.

Coelho também advertiu que a iniciativa daria argumentos a governos frequentemente criticados por Washington por violações de direitos humanos, como Irã e Coreia do Norte. Na avaliação dele, exibir uma execução enfraquece a posição americana ao cobrar de outros países respeito a esses direitos.

No campo político, o professor considera que a medida pode mobilizar a base de Donald Trump, especialmente os seguidores do movimento MAGA, mas não necessariamente conquistar eleitores independentes. A repercussão negativa poderia se voltar contra o governo em meio à preparação para as eleições de meio de mandato.

O especialista lembrou que a fiscalização de uma execução pode ser feita por autoridades e testemunhas autorizadas, sem transmissão pública. Sua crítica, explicou, se concentra na transformação da morte em espetáculo, e não na condenação de Hasan.

Para Coelho, será necessário observar se a iniciativa ficará restrita a esse caso ou abrirá caminho para outras execuções públicas, sinalizando uma mudança na postura dos Estados Unidos diante das normas internacionais de direitos humanos.

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