A cúpula do Exército considera Flávio Bolsonaro (PL-RJ) favorito no segundo turno e espera que, se eleito, mantenha uma relação mais moderada com os militares, sem retaliar os comandantes que rejeitaram a tentativa de golpe de 2022. Segundo o colunista Marcelo Godoy, do Estadão, os generais avaliam que o senador aceita aconselhamento e tem maior disposição para o diálogo do que o pai, Jair Bolsonaro.
Essa expectativa convive com dúvidas sobre a influência do ex-presidente e de aliados na escolha do ministro da Defesa e do futuro comandante do Exército. A reportagem registra preocupação com a participação de pessoas que atacaram a atual cúpula militar, embora os entrevistados considerem improvável uma crise provocada pelo novo governo.
Na avaliação dos generais ouvidos por Godoy, Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa, e o senador Carlos Portinho (PL-RJ) poderiam assumir o ministério numa gestão de Flávio. Se Lula for reeleito, a expectativa é de um nome com perfil semelhante ao de José Múcio.
O ex-comandante da Aeronáutica Carlos Baptista Júnior defende um ministro civil com autoridade política e conhecimento das instituições militares.
Uma das principais demandas das Forças Armadas continuará sendo a previsibilidade do orçamento. Portinho apresentou proposta para destinar à Defesa o equivalente a 2% do PIB. Os militares também esperam, numa eventual gestão de Flávio, menos restrições diplomáticas à compra e à venda de equipamentos militares.
Na segurança pública, os entrevistados anteveem maior participação das Forças Armadas no combate ao crime organizado, mas questionam a eficácia das operações de Garantia da Lei e da Ordem. A avaliação é que elas custam muito e produzem resultados temporários.
A cooperação internacional seria bem recebida, mas, conforme relato publicado pelo Estadão, a instalação de bases estrangeiras no Brasil enfrentaria forte resistência militar.
Sobre uma eventual anistia aos envolvidos na tentativa de golpe, os generais entendem que a decisão cabe às instituições responsáveis. Oficiais condenados que ainda estejam na ativa poderiam retornar à tropa, mas suas condutas não seriam esquecidas na avaliação interna do Exército.


