Uma ala do Supremo Tribunal Federal ligada ao ministro Alexandre de Moraes quer esclarecer até o fim do ano as suspeitas envolvendo integrantes da Corte e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo o Estadão, a intenção é reduzir a pressão por processos de impeachment a partir de 2027, quando tomam posse os senadores eleitos neste ano.
O presidente do STF, Edson Fachin, pediu à Polícia Federal um relatório minucioso sobre as referências a ministros nas apurações, sem juízo de valor. A tendência, porém, é que o documento seja entregue somente depois do segundo turno da eleição presidencial.
Após receber o material, Fachin deverá consultar a Procuradoria-Geral da República sobre a necessidade de investigação e submeter o caso ao plenário. Em setembro, a discussão terminou sem decisão, após uma sessão marcada por acusações entre ministros e um pedido de vista de Flávio Dino.
O prazo é apertado: se houver abertura de inquérito, depoimentos e produção de provas poderão consumir meses. Como o recesso começa em 20 de dezembro, a avaliação apresentada pelo Estadão é que dificilmente haverá uma conclusão neste ano.
Um eventual arquivamento por insuficiência de indícios poderia encerrar essa etapa mais rapidamente, mas não necessariamente reduziria a disposição de senadores de pedir o afastamento de ministros. Ao menos seis integrantes da Corte teriam sido mencionados nas apurações: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. A presença dos nomes no material, por si só, não comprova irregularidade ou crime.
Em outra frente, a PGR se manifestou pela anulação do afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça. A Procuradoria sustenta que a escolha e a permanência no cargo cabem ao presidente da República e que a medida pode prejudicar o funcionamento da instituição e as investigações. Também questiona a legitimidade do pedido apresentado pelo Novo e afirma que não há comprovação de vínculo dos dirigentes afastados com organizações criminosas.
