Centenas de milhares de pessoas foram às ruas da França neste sábado (17) contra o aumento do custo de vida e a precariedade dos serviços públicos, em uma jornada marcada também por confrontos, incêndios e saques. O Ministério do Interior contabilizou 550 mil participantes, enquanto os organizadores estimaram 800 mil. Cerca de 400 pessoas foram detidas, segundo o ministro Laurent Nuñez, informou a Associated Press.
Em Paris, os confrontos prosseguiram pela noite. Segundo o relato do Le Monde, grupos lançaram artefatos pirotécnicos contra policiais na Praça Vendôme, enquanto barricadas na região de Havre-Caumartin dificultavam o deslocamento das forças de segurança. Outros manifestantes continuavam marchando entre as regiões da República e da Bastilha.
A capital reuniu 110 mil manifestantes, segundo o Ministério do Interior. A dimensão dos atos mostrou a capacidade de mobilização de um movimento que aproximou estudantes, trabalhadores, sindicatos e integrantes dos coletes amarelos, conhecidos pelos protestos iniciados em 2018.
A insatisfação reúne reivindicações diferentes, mas ligadas às condições de vida. A alta dos combustíveis, da energia e dos alimentos se soma às críticas ao projeto de orçamento do governo e à falta de recursos para educação e saúde. Segundo a Euronews, a convocação ganhou força nas redes sociais e recebeu progressivamente a adesão de organizações estudantis, sindicais e políticas.
A mobilização estudantil cresceu a partir de escolas dos subúrbios populares ao norte de Paris. Conforme a Reuters, a revolta com a falta de professores e as instalações deterioradas se ampliou para questões como desigualdade, gastos públicos e perda do poder de compra. O encontro dessas pautas deu alcance nacional ao descontentamento.
Os episódios de violência atingiram outras cidades. Em Lyon, um posto de informações turísticas foi incendiado. Em Limoges, houve um incêndio na prefeitura. Em Marselha, o prédio da administração municipal sofreu depredações. A Reuters relatou ainda saques a lojas e veículos incendiados em Paris. Esses episódios ocorreram em meio a manifestações que também tiveram grandes concentrações pacíficas.
O presidente Emmanuel Macron condenou os ataques e prometeu responsabilizar seus autores. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu atribuiu a violência a grupos de extrema esquerda. A acusação do governo ocorre em um ambiente de disputa sobre a condução dos protestos e a atuação das forças de segurança.
A resposta policial também está sob questionamento. Segundo o Guardian, denúncias de violência contra manifestantes alimentam investigações e críticas ao emprego de armamentos de controle de multidões. O ministro do Interior afirmou que a maioria dos detidos era adulta, afastando a identificação automática dos envolvidos nos confrontos com os estudantes que impulsionaram a mobilização.
A jornada acrescenta pressão sobre o governo francês às vésperas de decisões orçamentárias e a poucos meses da eleição presidencial de 2027. O desafio político será responder às reivindicações sociais e conter a violência, enquanto estudantes e trabalhadores procuram transformar a presença nas ruas em mudanças nas condições de estudo, trabalho e renda.


