O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a 31% de aprovação, o menor índice registrado pela pesquisa Reuters/Ipsos em seus dois mandatos. Divulgado nesta segunda-feira (19), o levantamento aponta desgaste às vésperas das eleições legislativas de 3 de novembro. Há duas semanas, a aprovação era de 32%.
A pesquisa ouviu 1.679 adultos e tem margem de erro de dois pontos percentuais. A oscilação recente está dentro dessa margem, mas outros levantamentos confirmam uma perda de apoio mais ampla ao longo do governo.
A deterioração fica mais clara quando se observa a trajetória dos próprios eleitores do presidente. Segundo o Pew Research Center, a aprovação de Trump entre os americanos que votaram nele em 2024 passou de 95%, no início do segundo mandato, para 83% em janeiro deste ano, 75% em julho e 67% no levantamento mais recente.
Isso representa uma queda de 28 pontos percentuais dentro do grupo que o levou de volta à Casa Branca. Embora a maioria desses eleitores ainda aprove o presidente, o recuo mostra que a insatisfação ultrapassou os adversários democratas e atingiu parte de sua base.
Na pesquisa do Pew, realizada entre 28 de setembro e 4 de outubro, Trump aparece com 30% de aprovação e 68% de desaprovação entre os adultos americanos. O instituto destaca que o desgaste entre seus antigos apoiadores é especialmente acentuado nos segmentos mais jovens e entre os hispânicos.
A economia ajuda a explicar essa mudança. Um levantamento da Reuters/Ipsos realizado em setembro mostrou que, entre os republicanos, a aprovação da condução econômica caiu de 80% em janeiro para 56%. Na avaliação específica sobre o custo de vida, a redução foi ainda maior: de 70% para 44%.
Os números atingem uma promessa central do governo: melhorar as condições financeiras das famílias. Quando a insatisfação com os preços cresce dentro do próprio partido, o presidente perde parte da proteção política proporcionada pela fidelidade de seus apoiadores.
A mesma pesquisa mostrou que a aprovação geral de Trump entre republicanos recuou de 86% em janeiro para 73% em setembro. O levantamento ouviu 1.277 adultos, de 17 a 20 de setembro, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais para a amostra total.
O desgaste também alcança a confiança pessoal no presidente. Segundo o Pew Research Center, 69% dos americanos dizem ter pouca confiança em sua capacidade de manter os interesses empresariais separados das decisões presidenciais. O instituto registra ainda perda de confiança em sua atuação na economia, na política externa e na imigração.
Para os candidatos republicanos, o risco é enfrentar uma eleição marcada pela avaliação negativa da Casa Branca. Trump não estará nas cédulas em novembro, mas seu governo será uma referência para a escolha dos eleitores. O desafio do partido será impedir que a decepção se transforme tanto em votos para os adversários quanto em ausência de seus próprios apoiadores nas urnas.