Luiz Carlos Bordoni
A campanha de Lula ganhou um novo fôlego nas redes sociais. E o responsável por essa transformação tem nome: André Janones. O deputado mineiro compreendeu algo que muitos estrategistas eleitorais ainda não perceberam: na comunicação digital, não basta falar ao eleitor. É preciso fazê-lo participar da campanha.
Janones transformou seguidores em militantes e militantes em multiplicadores de mensagens. Criou o chamado Exército do Lula, um canal no WhatsApp que reuniu milhões de participantes. Ali, distribuiu tarefas, convocou mobilizações, estimulou compartilhamentos e organizou ações simultâneas nas principais plataformas digitais.
A estratégia foi simples e eficiente. Em vez de esperar que o eleitor procurasse informações sobre Lula, Janones fez com que os próprios simpatizantes levassem essas informações aos demais. Cada celular tornou-se um instrumento de propaganda. Cada participante passou a sentir que tinha uma missão.
A linguagem também mudou. Saiu parte da comunicação solene, institucional, e entrou o discurso direto, popular, provocativo, frequentemente bem-humorado. Janones incorporou métodos que o bolsonarismo já utilizava com desenvoltura, disputando com a direita um território no qual ela demonstrava grande capacidade de mobilização.
Os resultados apareceram. Levantamento da Datrix Digital apontou crescimento expressivo nas interações com as publicações de Lula. A mediana saltou de 2.800 para 16.200 interações por postagem. É um indicador de maior engajamento, embora não permita atribuir todo o crescimento exclusivamente ao deputado.
Naturalmente, há riscos. A agressividade, a provocação permanente e a velocidade das mensagens podem transformar o debate político numa guerra de torcidas e mobilização digital não significa, necessariamente, conversão de seguidores em votos.
