Brasília, 24/10/2026

Paris volta às ruas, e protestos ampliam pressão sobre governos europeus

Manifestações contra o custo de vida, as dificuldades de acesso à moradia e os problemas na educação voltaram a pressionar governos europeus neste sábado (24). Paris reuniu cerca de 110 mil pessoas, segundo estimativa policial citada pela Associated Press, em uma mobilização que expõe o desgaste do presidente francês, Emmanuel Macron.

O movimento francês começou com reivindicações sobre a falta de profissionais nas escolas e ganhou apoio de trabalhadores que cobram melhores salários e aposentadorias. A AP relatou o uso de gás lacrimogêneo e canhões de água no encerramento do ato em Paris.

O governo mobilizou 70 mil policiais e agentes de segurança em todo o país. Segundo a Reuters, o início da marcha parisiense foi pacífico, embora tenham ocorrido confrontos em outras cidades. Museus como o Louvre e o d’Orsay fecharam preventivamente, e comerciantes protegeram vitrines, receosos de uma repetição das depredações do fim de semana anterior.

A insatisfação ultrapassa as fronteiras francesas, mas assume características próprias em cada país. A proximidade das manifestações permite identificar problemas semelhantes, sem que isso signifique uma organização única ou uma pauta comum a todos os participantes.

Em Portugal, a moradia está no centro da mobilização. Milhares de manifestantes retornaram a praças de Lisboa e do Porto na terça-feira (20), depois de a polícia desmontar acampamentos e prender 55 pessoas. De acordo com a Reuters, os participantes prometeram manter a pressão diante das dificuldades crescentes para pagar uma casa.

Na Espanha, a alta dos aluguéis e dos imóveis também alimenta os protestos. Um acampamento na Puerta del Sol, em Madri, tornou-se símbolo da cobrança por respostas ao problema habitacional. Neste sábado, a Associated Press registrou manifestações em cidades que vão de Milão a Lisboa e Tirana. Na capital albanesa, houve confrontos e uso de canhões de água pela polícia.

Na Bélgica, manifestantes cobraram melhores condições no sistema educacional. A Reuters relatou confrontos em Bruxelas neste sábado, com emprego de gás lacrimogêneo e spray de pimenta, mas descreveu os episódios como menores e menos violentos que os da semana anterior.

Politicamente, a convergência dessas reivindicações revela uma dificuldade para os governos: apresentar resultados que sejam percebidos no orçamento das famílias e na qualidade dos serviços públicos. Moradia, educação e renda aproximam estudantes, trabalhadores e aposentados, embora suas demandas e preferências eleitorais possam ser diferentes.

A resposta das autoridades enfrenta duas cobranças simultâneas: impedir agressões e depredações e preservar o direito de manifestação. Quando a discussão fica concentrada nos confrontos, as reivindicações que levaram a maioria dos participantes às ruas correm o risco de perder espaço.

A capacidade de reduzir a tensão dependerá, portanto, de respostas concretas às dificuldades cotidianas. O policiamento pode conter episódios de violência, mas a negociação sobre salários, escolas e habitação é o que poderá determinar a duração e o alcance político dessa mobilização.

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