Brasília, 26/10/2026

Lula vence Flávio Bolsonaro e transforma reação popular em quarto mandato

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) neste domingo (25) e conquistou seu quarto mandato presidencial. Segundo a atualização oficial do Tribunal Superior Eleitoral das 21h43, com 99,92% das seções totalizadas, Lula somava 64.194.247 votos, equivalentes a 51,77% dos válidos, contra 59.799.105 votos de Flávio, ou 48,23%. A vantagem era de 4.395.142 votos.

A vitória encerra uma disputa que colocou o presidente diante de uma possibilidade concreta de derrota. Em 4 de outubro, Flávio havia recebido 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. A diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos obrigou o petista a reorganizar sua campanha e disputar cada parcela do eleitorado que permanecia indecisa.

A reação não estava assegurada sequer na véspera da votação. Datafolha e Quaest apontavam Flávio numericamente à frente, com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula, em empate técnico. Conforme o levantamento das pesquisas publicado pelo UOL, outros institutos também mostravam uma disputa apertada, mantendo a eleição aberta até o fim.

Lula teve de enfrentar dificuldades produzidas dentro de sua própria campanha. Segundo o balanço do UOL, o primeiro turno foi marcado por desorganização, conflitos internos e excesso de referências às realizações do passado. O resultado mostrou que a memória dos primeiros governos precisava ser acompanhada de respostas para as preocupações atuais dos eleitores.

O segundo turno trouxe uma mudança de ritmo. A mobilização nas ruas ganhou espaço, a comunicação digital foi reforçada e a campanha passou a apresentar com maior intensidade propostas para o próximo mandato. O canal “Exército de Lula”, impulsionado pelo deputado André Janones, tornou-se uma das ferramentas dessa reação, aproximando apoiadores e incentivando a participação eleitoral.

Uma das leituras políticas da vitória é que o temor de um retorno do bolsonarismo ao Planalto ajudou a reunir eleitores com diferentes avaliações sobre o governo. Para essa parcela do eleitorado, votar em Lula também significou impedir a volta de um grupo associado ao confronto institucional e à radicalização política. O resultado, porém, não permite atribuir uma motivação única aos milhões de votos recebidos pelo presidente.

A dimensão desse receio apareceu no debate sobre as consequências de uma vitória de Flávio. Em reportagem sobre os desafios do próximo governo, a Folha destacou a possibilidade de o candidato tentar indultar Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe. A questão manteve na campanha a discussão sobre democracia, responsabilização e limites do poder presidencial.

A defesa das conquistas sociais também ocupou lugar nessa mobilização. Ao votar em São Bernardo do Campo, Lula afirmou que a participação popular havia ultrapassado a atuação dos partidos e dos sindicatos. Na interpretação apresentada pelo presidente, as pessoas foram às ruas para proteger direitos e realizações que consideravam ameaçados.

O medo, entretanto, não esteve apenas de um lado. Entre os adversários do PT, permaneceram a rejeição ao partido, as críticas ao governo e a resistência a mais um mandato de Lula. A votação de Flávio mostra que o bolsonarismo conserva uma base expressiva. Sua derrota eleitoral não elimina sua presença na sociedade nem sua capacidade de oposição.

É nesse país dividido que Lula iniciará o novo mandato. A vitória lhe dá legitimidade para governar, mas não representa aprovação irrestrita de sua administração. Parte dos eleitores que ajudou a reelegê-lo poderá cobrar mudanças, resultados e uma relação mais próxima com as dificuldades do cotidiano.

No Congresso, a necessidade de negociação continuará. A Folha aponta um ambiente parlamentar mais inclinado à direita e desafios econômicos que exigirão escolhas difíceis. Para Lula, preservar o apoio reunido na eleição dependerá tanto da articulação política quanto da capacidade de melhorar a vida da população.

Aos 80 anos, o presidente chega à quarta vitória presidencial com sua capacidade de reação novamente demonstrada. O desafio seguinte será transformar a mobilização eleitoral em confiança duradoura e responder a quem votou por esperança, a quem votou por receio e também a quem escolheu seu adversário.

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