Brasília, 26/10/2026

Dólar sobe 8,65% após vitória de Lula; mercado revê projeções

 O dólar abriu em forte alta nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Perto das 9h, a moeda americana avançava 8,65%, cotada a R$ 5,4248, segundo o g1. Os juros futuros de prazo mais longo também subiam, enquanto os investidores aguardavam a abertura da Bolsa brasileira, prevista para as 10h.

Lula conquistou um quarto mandato com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), conforme os números apresentados pela reportagem, com quase todas as urnas apuradas. O resultado surpreendeu parte do mercado, que trabalhava com a possibilidade de vitória do candidato do PL.

A reação inicial levou investidores a rever projeções para câmbio, juros e contas públicas. Antes da abertura do Ibovespa, havia expectativa de queda expressiva das ações e de eventual interrupção das negociações. Até o horário informado, porém, não havia registro de acionamento desse mecanismo na sessão.

No exterior, os ativos brasileiros também enfrentavam pressão. De acordo com o g1, o EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras, recuava 26,16% nas negociações anteriores à abertura do mercado americano.

A condução das contas públicas será um dos principais pontos de atenção no novo mandato. Em declaração reproduzida pelo portal, Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, afirmou que a trajetória da dívida, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos investidores.

O economista-chefe da Lev DTVM, Jason Vieira, apontou uma possível resposta da equipe econômica: sinalizar uma proposta de emenda à Constituição para revisar gastos obrigatórios e buscar o centro da meta fiscal. A capacidade do governo de apresentar medidas e obter apoio no Congresso deverá influenciar as próximas avaliações do mercado.

A possibilidade de contestação judicial da eleição acrescentava incerteza ao cenário. Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro afirmou que pedirá a anulação do pleito após a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de estender a votação até as 19h em razão de dificuldades no deslocamento de eleitores.

O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, avaliou que uma eventual judicialização e seus desdobramentos políticos podem ampliar a oscilação dos preços dos ativos.

Na agenda econômica, o Boletim Focus também estava no radar. Como as projeções foram coletadas até sexta-feira, o levantamento ainda não refletia a reação dos analistas ao resultado das urnas.

O ambiente internacional somava outros fatores de pressão. Investidores acompanhavam os esforços diplomáticos relacionados à guerra entre Estados Unidos e Irã e os riscos ao fornecimento de petróleo. Perto das 7h40, o Brent caía 1,40%, para US$ 115,09 por barril, enquanto o WTI recuava 1,95%, a US$ 101,26.

A decisão de juros do Federal Reserve, o banco central americano, prevista para quarta-feira, também concentrava as atenções. A combinação entre o cenário externo, os próximos sinais da política econômica e os desdobramentos da eleição deverá orientar o mercado nas próximas sessões.

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