Brasília, 26/10/2026

Lula vira em 211 cidades e vence com recorde de 64,2 milhões de votos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou um quarto mandato com uma virada construída pela ampliação do comparecimento às urnas, pela redução dos votos brancos e nulos e pelo crescimento de sua votação em todos os estados e no Distrito Federal. Com a apuração concluída, recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 de Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 48,21%.

A diferença final foi de 4.430.191 votos. Segundo levantamento do g1 com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula reverteu uma desvantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos no primeiro turno. Entre uma votação e outra, a distância entre os candidatos mudou cerca de 6,6 milhões de votos em favor do petista.

O presidente acrescentou aproximadamente 10,3 milhões de votos à sua votação inicial, quase três vezes o avanço do adversário. Flávio cresceu 3.721.538 votos, uma expansão de 6,63%. De cada cem votos adicionais recebidos pelos dois finalistas, cerca de 74 foram para Lula.

A dimensão desse crescimento ultrapassou o contingente dos candidatos eliminados. Juntos, os demais concorrentes haviam recebido aproximadamente 9,3 milhões de votos no primeiro turno, cerca de 1 milhão a menos do que o avanço do presidente. A transferência desses eleitores, portanto, não explica sozinha a virada.

Uma parte decisiva da mudança esteve na participação eleitoral. A abstenção caiu de 21,08% para 19,21%, a menor taxa em 20 anos, conforme o levantamento publicado pelo g1. Cerca de 2,83 milhões de pessoas a mais compareceram às urnas no segundo turno.

Ao mesmo tempo, os votos brancos e nulos recuaram de 5,98 milhões para 4,15 milhões, uma redução de aproximadamente 1,83 milhão. Somados, o comparecimento maior e a diminuição desses votos acrescentaram cerca de 4,66 milhões de votos válidos à disputa.

Esses números ajudam a explicar como o universo de votos disponíveis cresceu entre os turnos. Não permitem, isoladamente, identificar a escolha de quem deixou de se abster ou de votar em branco e nulo, mas mostram que a decisão presidencial mobilizou uma parcela maior do eleitorado.

Minas Gerais teve papel central no desfecho. Foi o único estado em que Lula reverteu a liderança de Flávio entre os dois turnos, vencendo com 50,43% dos votos válidos, contra 49,57%. O resultado mineiro voltou a acompanhar a escolha nacional.

O maior crescimento absoluto do presidente, porém, ocorreu em São Paulo. Lula passou de 9.505.413 para 12.119.274 votos, um acréscimo de 2.613.861. Minas Gerais veio em seguida, com mais 1.162.163 votos, e o Rio de Janeiro acrescentou outros 872.372.

O avanço nos grandes colégios eleitorais do Sudeste se somou à ampliação da vantagem no Nordeste. Na região, a votação de Lula passou de aproximadamente 21,5 milhões para 24,5 milhões, um crescimento de 13,75%. Foram quase 3 milhões de votos adicionais em sua principal base regional.

A mudança também redesenhou o mapa municipal. Lula venceu em 211 cidades nas quais Flávio havia terminado o primeiro turno à frente, entre elas o Rio de Janeiro. O candidato do PL conseguiu fazer o movimento inverso em apenas um município.

Minas Gerais concentrou 76 dessas viradas, o maior número do país. Depois apareceram São Paulo, com 32 municípios, Paraná, com 20, e Rio Grande do Sul, com 19. Ao todo, houve inversões favoráveis ao petista em cidades de 18 estados.

Mais amplo do que o número de viradas foi o avanço na diferença de votos. Segundo o g1, Lula melhorou seu saldo sobre Flávio em 5.410 dos 5.570 municípios brasileiros, aproximadamente 97% do total. Esse indicador inclui cidades onde o presidente continuou atrás, mas reduziu a distância para o adversário.

O comparecimento cresceu em 4.858 municípios, equivalentes a 87% das cidades. A expansão foi disseminada pelo Sul, Sudeste, Centro-Oeste e litoral nordestino, áreas que também registraram avanços importantes do petista.

Embora tenha aumentado sua votação nacional, Flávio recebeu menos votos do que no primeiro turno em 939 municípios. Nessas cidades, a redução somou 134.091 votos. O Maranhão concentrou o maior número de casos, com 171 municípios, seguido por Tocantins, com 115, e Piauí, com 110.

A maior perda absoluta ocorreu em Macapá, onde o senador passou de 124.378 para 120.593 votos, uma queda de 3.785. No conjunto dos mesmos 939 municípios, Lula acrescentou 486.898 votos e cresceu em 863 cidades.

Os contrastes regionais permaneceram expressivos. No Piauí, Lula alcançou 75,88% dos votos válidos, contra 24,12% de Flávio, sua maior vantagem estadual. Em Roraima, o candidato do PL obteve 72,46%, diante de 27,54% do presidente.

Com 64,2 milhões de votos, Lula superou o recorde nacional que ele próprio havia estabelecido em 2022, quando recebeu 60,3 milhões ao derrotar Jair Bolsonaro. Também ampliou a margem de vitória: de aproximadamente 2,1 milhões naquela eleição para 4,4 milhões agora, após uma recuperação que alcançou quase todo o mapa eleitoral brasileiro.

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