Brasília, 27/10/2026

Janones ganha protagonismo com mobilização digital pela vitória de Lula

O deputado federal André Janones (Rede-MG) voltou ao centro da articulação política de Lula ao comandar uma mobilização digital apontada por aliados como decisiva para a vitória no segundo turno. À frente do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que ultrapassou 10 milhões de seguidores, ele organizou tarefas diárias para os apoiadores e ajudou a ampliar a presença da campanha nas redes sociais.

Segundo reportagem de O Globo, o parlamentar mobilizou a militância nos 20 dias entre os dois turnos, com orientações para divulgar conteúdos, impulsionar hashtags e participar de atos de rua. Expressões como “pessoal, urgente”, “explode” e “missão do dia” marcaram a comunicação direta com os seguidores.

Entre as ações estiveram a publicação em massa de fotos de eleitores fazendo o “L” e vestindo verde e amarelo, cores fortemente associadas ao bolsonarismo. A estratégia também buscou ampliar a repercussão de episódios negativos envolvendo Flávio Bolsonaro.

O reconhecimento veio no primeiro discurso de Lula após a vitória, quando o presidente chamou o deputado de “meu general Janones” e elogiou a mobilização dos apoiadores. O parlamentar rejeitou o título de “cara da virada” e afirmou que apenas canalizou a energia do presidente. Sua atuação também recebeu elogios do presidente colombiano, Gustavo Petro.

O protagonismo contrasta com o espaço ocupado por Janones depois da eleição de 2022. Naquela campanha, seu estilo combativo provocou preocupação entre integrantes da equipe de Lula, que buscavam transmitir moderação para conquistar eleitores de centro. Apesar da participação na disputa, o deputado ficou fora da composição do governo.

Sua trajetória combina projeção nas redes e controvérsias. Ex-trocador de ônibus e advogado, Janones ganhou notoriedade durante a greve dos caminhoneiros de 2018 e na defesa do auxílio emergencial de R$ 600 durante a pandemia. Em 2022, desistiu de uma candidatura à Presidência para apoiar Lula.

Depois daquela eleição, admitiu em livro ter divulgado mentiras para desestabilizar o adversário. Também enfrentou denúncia de “rachadinha” no gabinete e uma suspensão de três meses aplicada pelo Conselho de Ética da Câmara por ofensas ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

Embora tenha ampliado sua influência na campanha presidencial, Janones foi reeleito com votação menor: recebeu 78.119 votos neste ano, ante cerca de 238 mil em 2022. O resultado assegurou sua permanência na Câmara, enquanto a mobilização no segundo turno lhe devolveu destaque no campo governista.

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