Os Estados Unidos foram às urnas nesta terça-feira (3) para decidir quem comandará o Congresso nos dois últimos anos do mandato de Donald Trump. Com apenas 32% de aprovação, o presidente chega às eleições de meio de mandato sob pressão do custo de vida e da insatisfação dos eleitores independentes. A Câmara dos Representantes é o ponto mais vulnerável dos republicanos, enquanto o Senado oferece ao partido melhores condições de preservar a maioria, segundo a Reuters.
A votação renova as 435 cadeiras da Câmara e cerca de um terço do Senado. Para retomar a Câmara, os democratas precisam de um ganho líquido de três cadeiras. No Senado, precisam ganhar quatro. A tarefa é mais difícil porque o partido precisa defender suas próprias vagas e vencer disputas em estados onde Trump teve votação expressiva em 2024.
O que pesa contra Trump
A pesquisa Reuters/Ipsos concluída na segunda-feira (2) mostrou a aprovação de Trump um ponto acima de sua menor marca, de 31%. Na pergunta sobre qual partido os eleitores registrados preferem para o Congresso, os democratas lideraram por 46% a 38%. A vantagem caiu de 11 para oito pontos percentuais em uma semana. Entre os eleitores considerados mais propensos a votar, a diferença também foi de oito pontos, com 52% a 44%. Ipsos
O sinal mais preocupante para a Casa Branca veio dos independentes. Metade deles disse ver a eleição como uma oportunidade de votar contra Trump, enquanto 13% disseram votar em apoio ao presidente. A preocupação com os preços dos alimentos e dos combustíveis também pesou na reta final. Segundo a Reuters, as tarifas comerciais e a guerra com o Irã contribuíram para a pressão sobre esses preços.
Onde os republicanos ainda têm força
A vantagem democrata na pesquisa mede o humor nacional. A maioria na Câmara, porém, será decidida distrito por distrito, e a do Senado, estado por estado. Isso dá aos republicanos margem para conservar o Senado mesmo que percam terreno no conjunto do país. Michigan, Alasca e Texas estão entre as disputas acompanhadas de perto pela Reuters. No Texas, o democrata James Talarico enfrenta o republicano Ken Paxton em um estado decisivo para as chances de a oposição ampliar sua bancada.
Trump fez campanha intensa na reta final e pediu aos apoiadores que votassem como se ele próprio estivesse na urna. A aposta é mobilizar a base republicana nas disputas apertadas. O risco é que a mesma estratégia ajude a levar às urnas os independentes que veem no voto uma forma de rejeitar seu governo.
O que muda para a Casa Branca
Se os democratas retomarem a Câmara, poderão barrar projetos do governo, abrir investigações e convocar autoridades para prestar depoimento. Se os republicanos mantiverem o Senado, Trump ainda terá uma maioria para confirmar indicações ao governo e ao Judiciário. Uma vitória democrata nas duas Casas daria à oposição mais poder sobre a agenda legislativa e obrigaria a Casa Branca a negociar em ambas as frentes.


