Aliados do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) relatam “desânimo” com a perspectiva de disputar o governo de Minas Gerais em outubro deste ano, em uma aliança eleitoral com a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Seria uma consequência indireta da rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga ao STF (Supremo Tribunal Federal). Informações da CNN.
Na quarta-feira, o Senado reprovou a indicação à Corte por 42 votos a 34 e 1 abstenção – para ser aprovado, Messias deveria ter apoio de pelo menos 41 senadores. Desde 1894, a Casa não rejeitava um nome para o STF.
O próprio Pacheco teve o nome apontado como potencial indicado à cadeira deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso no ano passado – o ex-presidente do Senado contava com apoio do sucessor, Davi Alcolumbre (União-AP), e de integrantes da Corte, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.
Lula, no entanto, indicou o advogado-geral da União em 20 de novembro, mas a sabatina só foi realizada na quarta-feira (29 de abril). Embora aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Messias não conseguiu a maioria absoluta dos senadores em plenário.
Na véspera, Pacheco esteve com Messias e declarou apoio ao indicado por Lula. Apesar disso, integrantes do governo e do PT desconfiam de um eventual voto em sentido oposto, o que o senador nega – a votação é secreta neste caso.
Diante desse clima de desconfiança e constrangimento, o ânimo de Pacheco em se lançar na disputa pelo governo estadual teria ficado ainda mais baixo, de acordo com interlocutores. Antes mesmo do processo, havia dúvidas se o senador de fato concorreria, o que Lula vinha estimulando para construir um palanque forte no segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo.
Cenário eleitoral incerto
O cenário da disputa pelo governo de Minas ainda é bastante incerto. Quem lidera as pesquisas é o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que está em meio de mandato e ainda não bateu martelo sobre a candidatura. Por sua vez, Pacheco surge como segundo ou terceiro lugar, a depender do cenário testado, mas em desvantagem contra o colega de Senado em eventual segundo turno.
Se Pacheco não disputar o governo mineiro, a alternativa para Lula buscar um aliado em partidos de esquerda seria o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), que foi derrotado em 2022 pelo ex-governador Romeu Zema (Novo).
Por sua vez, o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, ainda avalia se apoia o atual governador, Mateus Simões (PSD), ou se o partido lança candidato próprio – o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIemg), Flávio Roscoe, filiou-se ao PL como alternativa nesse sentido.


