Brasil de Fato – Pequim (China) – Bruno Falci
Mesmo em meio às aumento das tarifas e sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos, a China concluiu 2025 com crescimento consistente próximo à meta oficial e registrou um superávit comercial recorde. Os dados, divulgados por órgãos oficiais chineses e reportados por agências internacionais, mostram a resiliência da segunda maior economia do mundo diante de pressões externas e desafios internos.
Segundo o Departamento Nacional de Estatísticas da China (NBS, na sigla em inglês), a economia manteve crescimento consistente em 2025, próximo à meta oficial do Produto Interno Bruto (PIB) de 5%. Dados parciais e projeções indicam que setores estratégicos, como indústria de alta tecnologia, manufatura avançada e energia limpa, compensaram a desaceleração observada em segmentos mais tradicionais.
O resultado é especialmente relevante diante de um cenário global desafiador, marcado por juros elevados em economias desenvolvidas e barreiras comerciais dos Estados Unidos, que afetaram exportações e fluxos de investimento. A estabilidade do crescimento reforça a capacidade chinesa de se adaptar a pressões externas e sustentar sua trajetória econômica.
Superávit comercial histórico
O destaque econômico de 2025 foi o superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, segundo dados oficiais da Administração Geral das Alfândegas da China. As exportações totais alcançaram aproximadamente US$ 3,77 trilhões, enquanto as importações somaram cerca de US$ 2,58 trilhões, consolidando o maior superávit da história do país.
Apesar de quedas nas exportações para os Estados Unidos, a China conseguiu compensar parte das perdas diversificando seus mercados, ampliando vendas para Europa, Sudeste Asiático, África e América Latina. A estratégia evidencia como o país mantém presença global e resiliência diante de restrições comerciais externas.
O desempenho também reflete fortes investimentos em setores de alta tecnologia e manufatura avançada, que aumentaram a competitividade dos produtos chineses no exterior. Com isso, o superávit recorde de 2025 demonstra não apenas a força das exportações, mas também a capacidade de adaptação da economia chinesa a um cenário global desafiador.
Indústria mantém crescimento sólido
A produção industrial chinesa manteve crescimento consistente em 2025, com dados parciais do NBS indicando avanço de cerca de 6% até novembro. O desempenho foi impulsionado por setores estratégicos, como manufatura avançada, veículos elétricos, baterias e tecnologias de energia limpa, que se beneficiam de investimentos em inovação tecnológica, digitalização e transição energética.
O setor industrial segue sendo um pilar central da economia chinesa, refletindo não apenas a força das cadeias de suprimento e do investimento público, mas também a capacidade de adaptação a pressões externas, como tarifas e barreiras comerciais.
Embora algumas áreas tradicionais tenham enfrentado desaceleração, a indústria de ponta e as tecnologias verdes compensaram, contribuindo para a estabilidade do crescimento econômico e reforçando a posição da China como força global em inovação industrial e sustentabilidade.

Consumo interno em ascensão e baixo desemprego
O consumo doméstico na China apresentou crescimento consistente em 2025, com as vendas no varejo de bens de consumo subindo cerca de 4% no acumulado até novembro, segundo dados do NBS. Setores como serviços, comércio eletrônico e turismo interno tiveram papel relevante nesse avanço, ajudando a sustentar a demanda e a circulação de recursos na economia.
A taxa de desemprego urbano permaneceu relativamente estável, em torno de 5%, refletindo a prioridade do governo em preservar empregos e renda, especialmente em pequenas e médias empresas, fundamentais para a estabilidade social e econômica.
Apesar do ritmo moderado de crédito em alguns setores, a demanda das famílias continua sendo um motor importante do crescimento, contribuindo para a estabilidade econômica em 2025 e reforçando a capacidade do país de enfrentar pressões externas e desafios globais.
Plano Quinquenal e a eficiência do socialismo com características chinesas
O desempenho econômico da China em 2025 reflete não apenas os resultados do ano, mas também a eficácia do 14º Plano Quinquenal (2021‑2025) e a capacidade do modelo socialista com características chinesas, concebido e supervisionado pelo Partido Comunista Chinês (PCC), de combinar planejamento estatal e mecanismos de mercado. O plano estabeleceu metas estratégicas para o desenvolvimento do país, incluindo crescimento sustentável, fortalecimento da indústria de alta tecnologia, expansão do consumo interno, preservação do emprego, desenvolvimento de energia limpa e infraestrutura, além da redução de desigualdades regionais e sociais.
Ao longo de 2025, ficou evidente que essas metas foram efetivamente alcançadas. A indústria manteve crescimento consistente, o consumo doméstico avançou gradualmente e a economia mostrou resiliência diante de pressões externas, como tarifas e barreiras comerciais. A coordenação promovida pelo PCC entre políticas fiscais, monetárias e investimentos estratégicos demonstrou como o modelo econômico chinês consegue sustentar estabilidade e inovação mesmo em um cenário global desafiador.
Com investimentos direcionados a setores prioritários, mas mantendo a flexibilidade de mercado, a China reforçou sua presença em mercados internacionais e consolidou a competitividade de áreas estratégicas. O cumprimento das metas do Plano Quinquenal evidencia que o crescimento do país não depende apenas de condições externas favoráveis, mas de uma estratégia de longo prazo, estruturada pelo PCC, capaz de conciliar desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e bem-estar social.

Estabilidade interna e avanços sociais
Em 2025, a China continuou a demonstrar forte capacidade de adaptação frente a desafios estruturais. O mercado imobiliário passou por ajustes, e a redução no ritmo de novos empréstimos bancários mostrou a cautela de empresas e famílias. Mesmo diante dessas condições, a economia avançou de forma consistente, sustentada por políticas estratégicas de longo prazo que equilibram crescimento e bem-estar social.
O modelo socialista com características chinesas, coordenado pelo PCC, assegura que o desenvolvimento econômico acompanhe resultados sociais concretos. Programas de redistribuição de renda, investimentos em infraestrutura e políticas de apoio ao emprego garantem que o progresso seja inclusivo, mantendo baixos índices de desemprego e consolidando o consumo doméstico. Esse enfoque também permitiu que a China sustentasse os avanços históricos na redução da pobreza extrema, garantindo que milhões de pessoas continuem a se beneficiar do crescimento econômico.
No plano internacional, a estabilidade chinesa se destaca em meio a um cenário global desafiador. Economias europeias registram crescimento lento, enquanto os Estados Unidos enfrentam juros elevados e volatilidade financeira. A capacidade da China de coordenar políticas industriais e comerciais de forma estratégica fortalece sua posição global, mostrando que é possível conjugar crescimento econômico e estabilidade social mesmo sob pressão externa.
A economia chinesa tende a manter um crescimento consistente em 2026, semelhante ao registrado em 2025, refletindo a força de sua estratégia de longo prazo, centrada em planejamento, inovação tecnológica e inclusão social. O desempenho do país evidencia que sua combinação de políticas sólidas e foco no bem-estar permite sustentar prosperidade, competitividade e progresso social, consolidando sua posição como líder global em desenvolvimento econômico e social.
China, Brasil e América latina: parceria estratégica e crescimento conjunto
O crescimento econômico da China em 2025 tem efeitos diretos para o Brasil, maior parceiro comercial do país na América Latina, e para toda a região. A demanda chinesa por commodities estratégicas, como soja, minério de ferro e petróleo, continua sendo um pilar fundamental para o crescimento do setor produtivo brasileiro e para a geração de empregos.
Ao mesmo tempo, a diversificação de mercados globais pela China fortalece a importância de relações comerciais multilaterais e abre oportunidades para maior integração econômica entre países do Sul Global. Isso garante previsibilidade nos investimentos, fluxo de comércio mais estável e potencial para cooperação tecnológica e energética, especialmente em setores como energia limpa, infraestrutura e inovação industrial.
A consolidação da China como um parceiro confiável e resiliente reforça o modelo de cooperação Sul-Sul, mostrando que o crescimento planejado e sustentável da segunda maior economia do mundo gera benefícios concretos para países parceiros, como o Brasil e outros da América Latina, tanto no comércio quanto no desenvolvimento estratégico de longo prazo.


