Brasília, 05/06/2026

Após 12 anos fechado, Celina Leão anuncia  ocupação do Centrad em Taguatinga

O Governo do Distrito Federal anunciou nesta segunda-feira (1º) que finalmente pretende colocar em funcionamento o Centro Administrativo do DF (Centrad), em Taguatinga, complexo bilionário construído há mais de uma década e que nunca chegou a operar plenamente desde a sua inauguração. O anúncio foi feito pela governadora Celina Leão (PP), que confirmou a transferência gradual de órgãos do governo para o espaço.

Segundo o GDF, a primeira pasta a iniciar a mudança será a Secretaria de Obras e Infraestrutura. A administração distrital afirma que a principal meta da transferência é reduzir os elevados gastos com aluguel de imóveis utilizados atualmente por secretarias e órgãos públicos espalhados pelo Distrito Federal.

Além da Secretaria de Obras, o próprio gabinete da governadora também deverá ser instalado no complexo administrativo, localizado no Centro Metropolitano de Taguatinga, às margens da EPTG. O governo, porém, ainda não informou qual será o custo da mudança, nem os valores necessários para adaptação dos espaços, compra de mobiliário, manutenção predial e recuperação de áreas que permanecem desocupadas há cerca de 12 anos.

O Centrad é considerado uma das obras mais polêmicas e caras da história recente do Distrito Federal. O empreendimento começou a ser construído em 2009, durante o governo de José Roberto Arruda, dentro de um projeto de descentralização administrativa que pretendia transferir parte da máquina pública do Plano Piloto para Taguatinga.

O complexo foi erguido por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o GDF e um consórcio formado pelas empresas Odebrecht e Via Engenharia. O contrato previa investimentos de aproximadamente R$ 6 bilhões ao longo de 22 anos.

A proposta original previa concentrar dezenas de órgãos públicos em um único espaço, reduzindo despesas com aluguel e modernizando a estrutura administrativa do governo. O projeto também fazia parte da estratégia de fortalecer Taguatinga como novo polo econômico e administrativo do DF.

Apesar das promessas, o empreendimento acabou se transformando em símbolo de desperdício de dinheiro público e de sucessivos problemas administrativos. Desde a inauguração parcial do complexo, em 2014, o espaço nunca foi efetivamente ocupado de forma integral pelo governo.

Ao longo dos anos, diferentes gestões enfrentaram dificuldades jurídicas, entraves financeiros, questionamentos sobre os contratos da PPP e dúvidas sobre a viabilidade da transferência das secretarias para o local. Enquanto isso, o governo continuou pagando milhões de reais em aluguel de prédios espalhados pelo Distrito Federal.

Levantamentos recentes apontam que o GDF desembolsa atualmente cerca de R$ 12 milhões por mês com locações de imóveis utilizados por órgãos públicos. Especialistas afirmam que, ao longo da última década, os gastos acumulados com aluguéis, manutenção do Centrad e custos administrativos podem ter ultrapassado a casa dos bilhões de reais.

Mesmo sem utilização plena, o complexo continuou gerando despesas com segurança, limpeza, conservação e vigilância patrimonial. Parte das estruturas também precisou de manutenção constante devido ao longo período de ociosidade.

O anúncio da ocupação ocorre em meio a questionamentos envolvendo o próprio futuro do Centrad. O imóvel chegou a ser incluído entre os ativos previstos em medidas de reforço ao caixa do Banco de Brasília (BRB), o que levantou dúvidas sobre a possibilidade de utilização do espaço pelo governo e, ao mesmo tempo, eventual negociação patrimonial.

A expectativa do GDF é que a transferência das secretarias aconteça gradualmente. Ainda não existe um cronograma completo para a mudança de todos os órgãos nem previsão oficial sobre quantos servidores passarão a trabalhar no local.

Urbanistas e especialistas em gestão pública avaliam que a ocupação do Centrad pode representar um marco importante para Taguatinga e para a descentralização administrativa do DF, mas alertam que o sucesso do projeto dependerá da infraestrutura urbana, do transporte público e da capacidade de transformar o espaço em um centro administrativo funcional.

O Centrad possui localização estratégica próxima à EPTG e às regiões de Taguatinga, Ceilândia e Águas Claras. O complexo conta com diversas torres administrativas e ampla estrutura de estacionamento, mas ainda enfrenta críticas relacionadas à mobilidade e ao acesso de servidores e da população.

Com o anúncio da ocupação, o governo tenta finalmente dar utilidade prática a um empreendimento que atravessou quatro governos, sobreviveu a crises políticas, operações policiais, disputas judiciais e anos de abandono parcial.

Após mais de uma década fechado e cercado de controvérsias, o Centro Administrativo do Distrito Federal volta agora ao centro do debate político e econômico do DF, desta vez com a promessa de finalmente sair do papel e se transformar na sede efetiva de parte da administração pública distrital.

Tags

Gostou? Compartilhe!