Brasília, 07/03/2026

Banco Master: relatório da PF indica que Toffoli e Vorcaro se encontraram ao menos 10 vezes

Lorenzo Santiago – Brasil de Fato

crise envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e o Banco Master ganhou um novo episódio nesta quinta-feira (19). A Polícia Federal encaminhou um relatório à Corte em que cita mais de dez encontros entre o dono do banco, Daniel Vorcaro, e o magistrado. O documento foi encaminhado na semana passada e o conteúdo foi divulgado nesta quinta-feira (19) pela jornalista Natália Portinari, do portal Uol.

As reuniões teriam ocorrido entre 2023 e 2024 e, segundo a PF, indicariam uma relação de “amizade” entre os dois. Os recortes foram feitos a partir de conversas no WhatsApp. O magistrado teria, por exemplo, convidado Vorcaro para sua festa de aniversário.

Toffoli era o relator da investigação do Banco Master no STF e deixou o cargo em 12 de fevereiro. A decisão foi tomada após uma reunião entre os ministros da Corte. O encontro foi feito para tomar uma decisão em torno do aumento da tensão com Toffoli assim que foi divulgada a ligação do ministro com a Maridt, empresa que foi indicada com relação no caso do Master.

A decisão final foi divulgar uma carta em apoio a Toffoli assinada pelos ministros e, em troca, o magistrado deixaria a relatoria do caso.

Uma reportagem divulgada pelo site Poder360 mostra algumas falas da reunião entre os magistrados. No encontro, o ministro Luiz Fux teria dito que Vorcaro e Toffoli tinham “seis minutos de conversa”. De acordo com o relatório, os dois se encontraram em ao menos 10 ocasiões. As mensagens indicam que grande parte dos encontros ocorreu em eventos em Brasília.

Além da presença dos dois em jantares e festas, o relatório da PF indica também que foram repassados R$ 35 milhões do fundo Arleen, ligado ao Banco Master e à Maridt, empresa na qual Toffoli é sócio com seus irmãos.

O magistrado assumiu ter participação na Maridt, citada nas investigações. Ele, no entanto, negou administrar a empresa. A Maridt fez parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro, que era dono do Resort Tayayá, no Paraná, até 21 de fevereiro de 2025. Na ocasião, a Maridt deixou a administração do local após vender as cotas que ainda tinha à PHB Holding. Antes, a Maridt já havia vendido parte das suas cotas ao Fundo Arleen, em setembro de 2021.

Segundo a nota da equipe de Toffoli, todas essas movimentações foram declaradas à Receita Federal e foram registradas “dentro de valor de mercado”. O resort era frequentado pelo ministro e por amigos. Dois irmãos de Toffoli integravam a Maridt quando o resort foi comprado.

Toffoli x Master

O envolvimento do ministro do STF com o Banco Master se dá por duas frentes. Primeiro porque o Fundo Arleen era gerido pela empresa Reag, ligada ao banco. O segundo ponto é o fato de o resort Tayayá também ter como sócio o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira investigada por lavagem de ativos.

As citações a Toffoli no caso do Banco Master foram identificadas pela PF durante a operação Compliance Zero, que investiga as fraudes financeiras da instituição liquidada pelo Banco Central em novembro.

O gabinete de Toffoli disse que essas menções são “ilações” ao nome do magistrado e disse que não há motivo para a suspeição do ministro no caso.

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