Brasília, 16/09/2026

 Celina nega risco de quebra do BRB e quer reestruturar saúde do DF

A governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) negou que o BRB corra risco de quebrar, defendeu mudanças na saúde pública e prometeu ampliar a gratuidade do transporte coletivo. Durante sabatina realizada pela TV Globo nesta terça-feira (15), ela também procurou se distanciar de decisões tomadas no governo de Ibaneis Rocha, do qual foi vice-governadora.

Celina apresentou como principal credencial para permanecer no cargo a disposição de “enfrentar os problemas”. Disse que, desde que assumiu definitivamente o governo, abriu os dados das filas da saúde, contratou serviços da rede privada e adotou medidas de contenção de despesas.

Na saúde, a candidata destacou a contratação de 20 mil cirurgias e 200 mil consultas. Também prometeu entregar, ainda neste ano, cinco das sete novas Unidades de Pronto Atendimento previstas pelo governo, com capacidade estimada para atender mais 700 mil pessoas.

Questionada sobre hospitais prometidos na campanha de 2022 e ainda não entregues, Celina afirmou que não tinha poder para definir as prioridades quando ocupava a Vice-Governadoria.

“Eu era vice do Ibaneis, eu não era governadora do Ibaneis”, respondeu. Segundo ela, o vice pode representar o governador, mas não dispõe de autonomia para tomar decisões administrativas.

Celina informou que tenta resolver, junto ao Tribunal de Contas, os problemas contratuais que atrasaram as obras. Reconheceu ainda que o sistema de regulação da saúde do DF “não funciona” e disse ter solicitado a implantação de um novo modelo.

A governadora também justificou a contratação temporária de profissionais, mecanismo que criticou quando era deputada distrital. Segundo ela, a medida é necessária porque oferece uma resposta mais rápida e porque os concursos efetivos não têm conseguido atrair médicos em número suficiente.

Como exemplo, citou um concurso para anestesistas no qual apenas um profissional teria demonstrado interesse. Em outro processo, dos 114 médicos aprovados para a atenção básica, somente 34 tomaram posse.

Para enfrentar a falta de profissionais, Celina prometeu reestruturar as carreiras e tornar os salários mais competitivos. A candidata também defendeu a criação de uma remuneração vinculada à produtividade, com vantagens maiores para os médicos que realizarem mais atendimentos.

BRB

A crise do BRB ocupou uma parte central da entrevista. Celina descartou a possibilidade de quebra do banco e afirmou que a instituição entrou em uma disputa de mercado incompatível com seu tamanho e com sua função regional.

Segundo a candidata, o prejuízo não decorreu da tentativa de compra do Banco Master, que não chegou a ser concluída, mas da aquisição de R$ 21 bilhões em títulos. Ela afirmou que, desse total, cerca de R$ 3 bilhões já foram considerados fraudulentos.

Celina disse que desconhecia a compra dos ativos quando era vice-governadora e que nunca suspeitou das irregularidades. Também afirmou que sempre foi contrária à aquisição do Master e à transformação do BRB em um banco de atuação nacional.

A governadora procurou se afastar do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Disse que não mantinha relação pessoal com ele e que sua saída já estava prevista antes da descoberta das irregularidades.

Celina afirmou que, após assumir o governo, procurou o Fundo Garantidor, instituições financeiras privadas e o Judiciário para buscar uma solução. O governo tenta obter financiamento para fortalecer o banco e evitar que os prejuízos prejudiquem suas operações.

A candidata sustentou que o pedido de aval federal não representa transferência de recursos da União ao DF. Segundo ela, a garantia serviria para viabilizar a operação, mas o pagamento continuaria sob responsabilidade do BRB.

Operação Dracon

Ao ser questionada sobre a Operação Dracon, Celina lembrou que foi absolvida da acusação de corrupção passiva na esfera criminal.

Celina disse estar tranquila e afirmou que sua trajetória de 25 anos na vida pública demonstra que não há impedimento ético para disputar a reeleição. “Minha vida está muito limpa”, declarou na entrevista, conforme o g1.

Educação

Sobre o desempenho do DF no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, a governadora reconheceu que os resultados foram ruins, mas alegou que as regras locais de reprovação prejudicam a comparação com outros estados.

Segundo Celina, no DF o estudante pode ser reprovado em razão do desempenho em duas disciplinas, enquanto outras redes adotam políticas mais flexíveis. Como a reprovação interfere no cálculo do Ideb, a diferença ajudaria a explicar parte do resultado.

A candidata afirmou que a estrutura e os profissionais da educação do DF são superiores aos de estados mais bem colocados no indicador. Destacou ainda a substituição de 2.681 professores temporários por servidores efetivos.

Celina também lembrou a troca no comando da Secretaria de Educação depois da divulgação do Ideb. Segundo ela, o novo secretário, Thiago Peixoto, recebeu a missão de implantar medidas para melhorar o desempenho da rede pública.

Segurança

Na segurança pública, Celina foi questionada sobre o crescimento dos casos de feminicídio e de outras formas de violência contra a mulher. A governadora defendeu as ações já adotadas, entre elas o aplicativo Viva Flor, o auxílio-aluguel e os programas de qualificação profissional para vítimas.

A candidata argumentou que o feminicídio ocorre frequentemente dentro de casa e que muitas vítimas não haviam registrado ocorrência anteriormente. Defendeu maior incentivo à denúncia e participação da sociedade na identificação de situações de risco.

Celina também prometeu ampliar os efetivos das forças de segurança. Segundo ela, o orçamento já prevê a convocação de policiais civis, militares e penais, além de bombeiros.

População de rua

Ao tratar das mais de 3,5 mil pessoas em situação de rua no DF, a governadora defendeu a internação involuntária que classifica como humanizada. Disse que o governo retirou ocupações de mais de 410 dos 450 pontos identificados.

Celina afirmou que a política procura recuperar os espaços públicos e, ao mesmo tempo, oferecer atendimento social. Também citou programas como Prato Cheio, Vale Gás, Cartão Material Escolar, Cartão Uniforme e as três refeições servidas nos restaurantes comunitários.

Transporte

No transporte coletivo, a candidata manteve a promessa de ampliar a gratuidade para todos os dias da semana. Segundo ela, uma auditoria poderá identificar distorções e permitir o reequilíbrio dos contratos sem aumento das despesas.

Sobre o Metrô-DF, Celina afirmou que o governo abriu uma licitação para comprar 15 novos trens, mas o processo foi suspenso pelo Tribunal de Contas. Disse que a administração responde às exigências do órgão para tentar retomar a aquisição.

Ao longo da sabatina, Celina procurou combinar o discurso de continuidade com uma tentativa de marcar distância do governo anterior. Assumiu a defesa das medidas adotadas desde que chegou ao comando do Executivo, mas atribuiu a Ibaneis e às antigas equipes as principais decisões relacionadas às promessas não cumpridas, ao desempenho da educação e à crise do BRB.

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