Brasília, 07/03/2026

China aprova ajuda emergencial a Cuba de US$ 80 milhões e doa 60 mil toneladas de arroz

Em meio à crescente hostilidade de Washington contra Cuba, o presidente da República Popular da China, Xi Jinping, autorizou o envio de ajuda emergencial à ilha caribenha, incluindo assistência financeira no valor de US$ 80 milhões e a doação de 60 mil toneladas de arroz.

A decisão foi comunicada ao presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, pelo embaixador da China em Havana, Hua Xin, durante um encontro realizado no Palácio da Revolução.

A assistência financeira será destinada à aquisição de equipamentos elétricos e a outras necessidades urgentes, segundo informou o governo cubano, em um contexto marcado pelo agravamento da crise econômica e energética no país.

Do total da doação alimentar, o primeiro lote, de 4.800 toneladas de arroz, já chegou à ilha, e a expectativa é de que o restante seja entregue nos primeiros meses do ano. O arroz, alimento básico da dieta da população cubana, tem se tornado cada vez mais difícil de obter em razão da crise nas importações.

Paralelamente, a assistência financeira busca aliviar a grave crise energética enfrentada por Cuba. O país tem registrado apagões prolongados que, nos últimos dias, afetaram mais de 60% do território nacional. O déficit energético, que se intensificou recentemente, decorre da escassez de combustível para a geração distribuída, provocada pela interrupção do fornecimento proveniente da Venezuela.

Essa ajuda ocorre em um cenário de tensões geopolíticas, marcado especialmente pelas crescentes ameaças e sanções impostas pelos Estados Unidos, que têm limitado, entre outros fatores, o envio de petróleo venezuelano a Cuba, agravando ainda mais a crise energética.

Nesse contexto, a China tem se consolidado como um aliado estratégico de Cuba, sobretudo no setor energético. Desde 2024, os dois governos formalizaram a construção de diversos parques fotovoltaicos na ilha, com apoio chinês. Esses projetos integram a estratégia cubana de transição energética, cujo objetivo oficial é que as fontes renováveis representem cerca de 25% da geração elétrica até 2030 e, no longo prazo, alcançar uma matriz energética totalmente baseada em energias renováveis até 2050.

Atualmente, a maior parte da eletricidade em Cuba ainda é gerada a partir de combustíveis fósseis, enquanto as fontes renováveis representam uma parcela menor — embora crescente — da matriz energética. O investimento chinês em energias renováveis busca reduzir a dependência de combustíveis importados e fortalecer a estabilidade do fornecimento elétrico no país.(Brasil de Fato)

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