De acordo com um especialista da Universidade de Cambridge, os Estados Unidos arriscam isolamento econômico ao insistirem em tarifas contra a China, enquanto Pequim busca reformar instituições como FMI e OMC, sem abandonar políticas internas que inundam mercados globais com produtos baratos.
Os Estados Unidos correm o risco de se isolar em um bloco econômico próprio ao insistirem em tarifas comerciais, segundo o professor William J. Hurst, da Universidade de Cambridge. Falando à Folha da S.Paulo, o especialista acredita que essa estratégia não conterá o protagonismo crescente da China, que encontra espaço para remodelar instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Hurst afirma que Pequim não pretende revisar práticas criticadas pelo Ocidente, como a inundação dos mercados globais com produtos subsidiados. Em sua avaliação, “deixar de manter essas políticas pode, a curto prazo, levar ao colapso da economia chinesa“. A prioridade do governo é evitar uma crise política interna, mesmo que isso mantenha tensões comerciais.
Ainda segundo a apuração, o especialista considera que as tarifas norte-americanas têm dois objetivos: proteger a indústria doméstica e pressionar parceiros comerciais a fazer concessões. No entanto, ele avalia que a medida é ineficaz contra a China, que possui mercados alternativos mais relevantes, como a Asean, grupo de países do Sudeste Asiático.
A disputa comercial, segundo Hurst, fortalece a imagem da China como parceiro confiável, em contraste com os EUA. Pequim busca aproveitar esse momento para reformar regras e estruturas das instituições internacionais, onde ainda tem pouca representação proporcional ao seu peso econômico. (Sputnik)


