A prefeitura de Belém decretou estado de emergência em razão das fortes chuvas que atingem a capital paraense – foram mais de 150 milímetros (mm) em menos de 24 horas, volume classificado como extremo.

“Belém registrou uma das chuvas mais intensas dos últimos dez anos”, informou a prefeitura em nota, ao acrescentar que acompanha, desde as primeiras horas de domingo (19), os impactos do temporal na cidade.
Ainda de acordo com o comunicado, a Defesa Civil coordena um comitê integrado, com o apoio do Corpo de Bombeiros, com o objetivo de garantir resposta rápida em todas as áreas da capital.
“As ações incluem reforço nos abrigos, atendimento às famílias atingidas, limpeza de canais e bueiros, além de intervenções emergenciais nos pontos de alagamento”, concluiu a prefeitura.
Doações
Nas redes sociais, a prefeitura informou ter aberto pelo menos um ponto de coleta de doações, na Aldeia Amazônica. Os itens aceitos incluem colchões, itens de higiene pessoal, cestas básicas, alimentos não perecíveis e roupas.
Chuvas no final de semana
As fortes chuvas que atingiram a Região Metropolitana de Belém entre sábado (18) e domingo (19) foram provocadas por uma combinação de fatores climáticos e devem continuar ao longo da semana, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. Com informações de O Liberal.
De acordo com o meteorologista José Raimundo Abreu, as precipitações começaram ainda na tarde de sábado e se estenderam por mais de 24 horas consecutivas, sendo intensificadas pelas marés altas registradas no período. O cenário resultou em alagamentos e transtornos em diferentes áreas da capital paraense.
Os volumes de chuva variaram entre os bairros. Na estação do Instituto Nacional de Meteorologia, no Entroncamento, foram registrados 73,6 milímetros. Em Nazaré, o acumulado chegou a 110 milímetros; na Terra Firme, cerca de 120 milímetros; e nos bairros da Cremação e Pedreira, volumes próximos de 100 milímetros.
Segundo o meteorologista, o fenômeno foi causado pela atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), associada a distúrbios de ondulações de leste. Trata-se de uma faixa de nuvens formada pela convergência dos ventos alísios, que se manteve ativa desde a costa da África, intensificando a formação de nuvens sobre a região Norte.
Além da capital, municípios do nordeste do Pará também registraram chuvas intensas ao longo do fim de semana. Ainda segundo o Inmet, o volume acumulado em abril já ultrapassou a média histórica, estimada em cerca de 450 milímetros. A projeção é de que o total alcance entre 550 e 600 milímetros até o fim do mês, superando a média em mais de 20%.
A previsão indica continuidade das chuvas nos próximos dias, principalmente entre a tarde e a noite, embora com menor intensidade em relação ao domingo (19). Há possibilidade de melhora temporária na terça-feira (21), com períodos de sol pela manhã.
O Inmet também alerta para a persistência de marés altas nos dias 20 e 21, consideradas as maiores de abril, influenciadas pelo alinhamento da lua nova com a Terra e o Sol, o que pode agravar episódios de alagamento.
O padrão de chuvas frequentes deve se estender até o início de maio, mantendo características típicas do período chuvoso na região, com impactos diretos na mobilidade urbana e na rotina da população.
Histórico de chuvas
Belém registra, historicamente, altos índices pluviométricos, especialmente entre os meses de janeiro e maio, período conhecido como “inverno amazônico”. A média mensal em abril costuma girar em torno de 400 a 450 milímetros, com episódios recorrentes de acumulados elevados em curtos intervalos de tempo.
Nos últimos anos, eventos de chuva intensa têm superado com frequência a média histórica, impulsionados por fatores como o aquecimento das águas do Atlântico e a maior atuação da Zona de Convergência Intertropical. Em anos recentes, acumulados mensais já ultrapassaram a marca de 500 milímetros, ampliando a ocorrência de alagamentos em áreas urbanas mais vulneráveis.
Bairros como Terra Firme, Cremação, Pedreira e Nazaré aparecem com frequência entre os mais afetados, em razão da combinação entre volume elevado de chuva, deficiência de drenagem e influência das marés.

