Brasília, 09/06/2026

Ciro Nogueira diz que operação que mirou relação com Daniel Vorcaro é perseguição eleitoral

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou nesta sexta-feira (8) que é alvo de “perseguição política” após ter sido incluído na quinta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Em nota publicada nas redes sociais, o parlamentar declarou que ações desse tipo costumam ocorrer em “todo ano político” e sugeriu que há uma tentativa de enfraquecer lideranças que aparecem bem posicionadas nas pesquisas eleitorais.

Segundo reportagem do G1, a operação foi deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (7) e teve como um dos alvos o presidente nacional do PP. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador no Distrito Federal e no Piauí, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

As investigações apuram possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master, instituição ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal aponta indícios de que Ciro Nogueira teria atuado em favor dos interesses do banco em troca de vantagens indevidas. Entre os fatos investigados está a suspeita de que o senador teria recebido uma espécie de “mesada” do empresário e apresentado propostas legislativas favoráveis à instituição financeira.

De acordo com o G1, um dos principais pontos analisados pelos investigadores é a apresentação de uma emenda que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida considerada de interesse direto do Banco Master. A PF suspeita que a articulação política teria ocorrido em benefício da instituição financeira investigada.

A decisão judicial autorizou ainda o bloqueio de bens de até R$ 18,85 milhões. Além de Ciro Nogueira, outros investigados foram atingidos pela operação, incluindo Felipe Cançado Vorcaro, que acabou preso durante a ofensiva policial.

A investigação também revelou mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e a namorada, nas quais o banqueiro explicaria quem era o senador piauiense. O material foi citado pela Polícia Federal como parte do conjunto de elementos reunidos ao longo das apurações.

Em sua manifestação pública, Ciro Nogueira afirmou que já enfrentou situações semelhantes anteriormente. O senador relembrou as eleições de 2018, quando, segundo ele, teria sido alvo de acusações às vésperas do pleito. Na avaliação do parlamentar, o episódio acabou fortalecendo sua candidatura naquele momento.

“Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, escreveu o senador em nota divulgada nas redes sociais.

O presidente do Progressistas também questionou os impactos da operação sobre sua reputação pessoal e política. “Quem devolve a honra de uma pessoa depois de um ataque tão maligno e sem fundamentos como esse?”, afirmou.

Ainda na nota, Ciro Nogueira declarou que continuará atuando politicamente no Piauí e disse que a pressão sofrida reforça sua disposição de buscar recursos para o estado. Segundo ele, os acontecimentos recentes “dão mais energia” para continuar trabalhando em favor da população piauiense.

O senador encerrou a manifestação agradecendo as mensagens de apoio recebidas de aliados, eleitores e familiares. “Nada me faz abandonar o povo que confia em mim”, afirmou.

Outro elemento citado na reportagem do G1 envolve viagens realizadas em aeronaves ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Documentos obtidos pela CPMI do INSS mostraram que Ciro Nogueira e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, utilizaram um helicóptero pertencente ao empresário.

Segundo os registros, os voos ocorreram no fim de semana do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, em novembro de 2024. O trajeto foi realizado entre o heliporto do Kartódromo Ayrton Senna, em Interlagos, e o aeroporto de Congonhas, na capital paulista.

O e-mail citado pela investigação foi enviado pela empresa PrimeYou, responsável pela gestão de aeronaves e da qual Vorcaro foi sócio. O documento detalhava reservas de voos e listas de passageiros. Em um dos deslocamentos constava o nome de Ciro Nogueira; em outro, o de Antônio Rueda acompanhado de convidados.

O helicóptero utilizado, identificado pelo prefixo PS-MAS, teria sido adquirido por cerca de R$ 16,4 milhões, segundo informações obtidas pela CPMI.

Até o momento, a defesa de Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade e afirma que o senador não cometeu crimes. O Banco Master também sustenta que atua dentro da legalidade e que colabora com as autoridades nas investigações.

O caso ampliou a repercussão política em Brasília e aumentou a pressão sobre lideranças do Centrão, principalmente em um momento de articulações antecipadas para as eleições de 2026. A investigação segue em andamento sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.

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