Levantamento do Datafolha, divulgado neste sábado (20) pela Folha de S.Paulo, mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece na liderança da corrida presidencial de 2026. No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 31%, mantendo uma vantagem de dez pontos percentuais. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios entre os dias 17 e 18 de junho e possui margem de erro de dois pontos percentuais.
Além de liderar o primeiro turno, Lula também aparece à frente em todas as simulações de segundo turno. Contra Flávio Bolsonaro, venceria por 47% a 43%, repetindo o resultado da pesquisa anterior. Em confrontos com Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), o presidente também leva vantagem, registrando, respectivamente, 47% a 41% e 48% a 39%, consolidando sua posição como favorito entre os cenários testados.
No primeiro turno, Caiado e Renan Santos (Missão) aparecem com 3% cada. Em seguida surgem Romeu Zema, Aécio Neves (PSDB), Samara Martins (UP) e Augusto Cury (Avante), todos com 2%. Outros pré-candidatos pontuam entre 0% e 1%, enquanto 7% dos entrevistados declararam voto branco ou nulo e 4% afirmaram não saber em quem votar.
Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados, Lula também lidera, com 30%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 17%. O resultado reforça a polarização entre os dois principais adversários da disputa.
O levantamento também mediu a rejeição dos candidatos. Flávio Bolsonaro é rejeitado por 48% dos entrevistados, enquanto Lula registra 46%, configurando empate técnico dentro da margem de erro. Aécio Neves aparece com 23% de rejeição, seguido por Romeu Zema (17%) e Ronaldo Caiado (14%).
Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, a estabilidade dos números ocorre em meio aos desdobramentos políticos envolvendo o chamado caso Dark Horse, relacionado ao suposto pedido de recursos de Flávio Bolsonaro ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A publicação destaca que o episódio reduziu o crescimento do senador nas pesquisas. Por outro lado, os reflexos das investigações da Polícia Federal envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o Banco Master ainda não foram totalmente captados pelo levantamento, já que a operação ocorreu durante o período de realização da pesquisa.
A pesquisa também indica que as principais iniciativas recentes do governo federal, como o pacote econômico superior a R$ 140 bilhões em créditos e subsídios e a aprovação, pela Câmara, da proposta que extingue a escala de trabalho 6×1, ainda não produziram impacto significativo na ampliação da vantagem eleitoral de Lula.
Os recortes do eleitorado mostram que Lula mantém melhor desempenho entre mulheres, eleitores de menor renda, estudantes, negros e moradores do Nordeste, região em que alcança 61% das intenções de voto. Já Flávio Bolsonaro apresenta desempenho superior entre empresários, eleitores de maior renda, evangélicos, brancos e moradores da Região Sul, onde registra 54%.
Outro dado destacado pelo Datafolha é a fidelidade do eleitorado de 2022. Entre os eleitores que votaram em Lula, 91% afirmam não se arrepender do voto, enquanto entre os eleitores de Jair Bolsonaro esse índice chega a 93%, indicando que a polarização política permanece forte às vésperas da campanha eleitoral.
A pesquisa reforça que, neste momento, Lula entra na reta pré-eleitoral em posição favorável, liderando tanto no primeiro turno quanto em todas as simulações de segundo turno. Ao mesmo tempo, os elevados índices de rejeição dos dois principais concorrentes indicam que a disputa de 2026 deverá continuar marcada pela forte polarização entre os campos liderados por Lula e pelo bolsonarismo.
Datafolha: tudo como dantes…
Luiz Carlos Bordoni
A manchete mais repetida neste sábado foi a do segundo turno: Lula 47%, Flávio Bolsonaro 43%. O problema é que esse número pouco acrescenta ao debate político, porque é exatamente o mesmo resultado da pesquisa anterior.
A verdadeira notícia está no primeiro turno.
Lula aparece com 41% das intenções de voto contra 31% de Flávio Bolsonaro. A diferença é de dez pontos. Mais importante do que isso: todos os demais candidatos somados alcançam apenas 15%.
Na prática, a pesquisa mostra que a eleição continua fortemente polarizada. O eleitorado permanece concentrado em dois polos, enquanto as alternativas seguem sem conseguir romper a barreira da irrelevância eleitoral.
Há outro dado que merece atenção. Lula subiu de 40% para 41%, enquanto Flávio permaneceu em 31%. Isso sugere que o desgaste provocado pelo caso Dark Horse e pelas ligações com Daniel Vorcaro, que atingiram o senador nas últimas semanas, ao menos por enquanto não foi revertido. Por outro lado, o episódio envolvendo Jaques Wagner aparentemente também não produziu impacto imediato sobre o presidente.
Aliás, o próprio período de coleta recomenda cautela. A pesquisa foi realizada exatamente nos dias em que a operação envolvendo Jaques Wagner veio a público. É provável que parte significativa do eleitorado sequer tivesse tomado conhecimento completo do caso quando respondeu ao Datafolha. O levantamento pode estar registrando apenas o início de uma reação que ainda será medida por pesquisas futuras.
Outro aspecto relevante é a rejeição. Flávio aparece com 48%, Lula com 46%. Os dois estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro. Isso significa que ambos carregam um teto eleitoral elevado e encontram dificuldades semelhantes para ampliar suas bases.
Mas existe uma diferença importante entre intenção de voto e rejeição. Lula lidera a disputa por dez pontos no primeiro turno. Ou seja, mesmo apresentando rejeição semelhante à de Flávio, consegue transformar mais simpatia em intenção efetiva de voto.
A leitura final é simples: a eleição continua polarizada, Lula segue liderando com relativa folga o primeiro turno, Flávio conseguiu estancar perdas, mas ainda não recuperou o terreno perdido nas últimas semanas.
Quanto ao impacto político do caso Jaques Wagner, os números divulgados hoje parecem insuficientes para medir seus efeitos reais. Por isso, a pesquisa mais importante talvez não seja esta. Pode ser a próxima.
