O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, pediu demissão nesta terça-feira (17) em protesto contra a guerra no Oriente Médio, dos americanos e Israel contra o Irã. É a primeira saída de alto escalão diretamente ligada ao conflito, iniciado no fim de fevereiro, e expõe que, sim, há uma divisão interna sobre a justificativa para a ofensiva militar.
Na carta enviada ao presidente Donald Trump, Kent teria afirmado que não havia ameaça iminente que justificasse a guerra, condição apontada por especialistas como necessária para autorizar ações militares. A saída ocorre na terceira semana do conflito e deve gerar certa pressão política sobre a Casa Branca.
“Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação”escreveu Kent, em publicação no X.
A renúncia pegou de surpresa integrantes da comunidade de inteligência, segundo relatos à Reuters. Nem a Casa Branca nem o Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional se manifestaram até o momento.
Kent é aliado próximo da diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, que tem mantido silêncio público desde o início da guerra. A chefe da inteligência apareceu apenas em cerimônia militar no início do mês, após a morte de soldados americanos no conflito.
Guerra no Oriente Médio
Os Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã em 28 de fevereiro. O ataque atingiu instalações militares e estruturas consideradas estratégicas pelo regime iraniano. Explosões foram registradas na capital, Teerã, e em outras cidades importantes para o Regime Aiatolá.
O ataque matou o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. A confirmação da morte foi divulgada, horas depois dos primeiros ataques, pela imprensa estatal iraniana. Os ataques e a perda do principal líder político e religioso do Irã provocou reação imediata do governo. Mojtaba Khamenei, filho de Ali, assumiu o posto.
O Irã respondeu com ataques contra alvos ligados aos Estados Unidos e a Israel no Oriente Médio. Foram disparados mísseis e drones contra bases militares e infraestruturas estratégicas em diferentes países do Oriente Médio.
A Guarda Revolucionária iraniana anunciou, nos dias seguintes, o fechamento do Estreito de Ormuz. A passagem marítima conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das principais rotas usadas para exportação de petróleo no mundo.
No estreito passam cerca de 20% do petróleo transportado por navios no planeta. Autoridades iranianas afirmaram que embarcações que tentassem atravessar a área poderiam ser atacadas.
Para autorizar a travessia pelo estreito, o Irã colocou como condição da passagem à retirada da embaixada dos Estados Unidos do país de origem da embarcação e vice-versa.
Os Estados Unidos negam que a rota tenha sido completamente bloqueada. Porém, desde então, incidentes envolvendo navios comerciais passaram a ser registrados no entorno da passagem.
A guerra entrou na segunda semana com ataques, retaliações e ameaças militares em diferentes países do Oriente Médio. (IG)