Brasília, 14/03/2026

Em crise, Cuba diz que negocia com os EUA

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reconheceu pela primeira vez publicamente que o governo cubano mantém conversas com os Estados Unidos. Sem entrar em detalhes sobre o conteúdo das tratativas, o líder afirmou que o diálogo ocorre em razão de fatores do cenário internacional que tornaram necessário algum nível de comunicação entre os dois países.

Segundo reportagem exibida pela rede americana NBC, Díaz-Canel confirmou a existência das conversas, mas evitou informar quem participa das negociações ou quais temas estão sendo discutidos. A informação foi apresentada pelo jornalista George Solis durante o programa Saturday TODAY.

A declaração ocorre em meio a um período de crescente pressão do governo dos Estados Unidos sobre Havana. De acordo com a reportagem da NBC, o presidente americano Donald Trump tem intensificado medidas contra o governo cubano, incluindo restrições ligadas ao fornecimento de petróleo à ilha.

Segundo a emissora americana, o bloqueio ao petróleo faz parte de uma estratégia de Washington para aumentar a pressão econômica sobre o governo cubano. Autoridades americanas citadas pela NBC afirmam que a medida busca reduzir fontes de financiamento do regime e ampliar o isolamento internacional de Havana.

Analistas ouvidos pela reportagem destacam que a situação energética é particularmente sensível para Cuba, que depende de importações de combustível para manter o funcionamento da indústria, do transporte e do sistema elétrico. Nos últimos anos, o país tem enfrentado dificuldades recorrentes no abastecimento de energia, com apagões e redução da atividade econômica.

Mesmo diante desse cenário de tensão, Díaz-Canel indicou que o governo cubano considera importante manter canais diplomáticos abertos com Washington. Segundo a NBC, o presidente cubano não confirmou se as conversas podem levar a alguma negociação mais ampla ou eventual redução das sanções impostas pelos Estados Unidos.

As relações entre Cuba e Estados Unidos têm sido historicamente marcadas por momentos alternados de confronto e aproximação. Após um período de distensão diplomática ocorrido na década passada, o relacionamento voltou a se deteriorar nos últimos anos, com a retomada de medidas de pressão econômica e política por parte de Washington.

De acordo com a reportagem exibida no programa Saturday TODAY, a confirmação das conversas por Díaz-Canel é vista por analistas como um sinal de que, apesar das tensões, ambos os governos buscam evitar um agravamento ainda maior da crise diplomática entre os dois países.

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