Luiz Carlos Bordoni (*)
O estilo sempre foi uma marca de Ronaldo Caiado. Médico, político experiente, figura de fala direta e sem rodeios, ele construiu sua trajetória com base na firmeza. Em Goiás, esse perfil encontra respaldo, mas a política nacional opera em outra lógica.
A declaração em que chama o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão” e afirma que irá retirá-lo do cargo ultrapassa o campo da crítica política e entra no terreno da escalada retórica. Isso cobra um preço.
A primeira questão é de postura. Um candidato à Presidência precisa dialogar com diferentes públicos, inclusive aqueles que não compartilham de suas convicções. O tom adotado por Caiado pode dificultar essa ampliação.
A segunda é de coerência narrativa. Ao se apresentar como alguém preparado para governar o Brasil, espera-se também equilíbrio institucional, capacidade de mediação e visão estratégica. A retórica mais agressiva, nesse caso, pode colidir com a imagem de estadista.
Há ainda um debate importante que permanece em aberto. Caiado tem na segurança pública seu principal ativo. No entanto, evita temas sensíveis dentro desse campo, como o uso de câmeras corporais por policiais e a discussão sobre letalidade policial.
Esse silêncio não passa despercebido. Num ambiente nacional, essas questões ganham peso e exigem respostas mais elaboradas.
Outro ponto relevante é a visibilidade. Apesar da força regional, Caiado ainda ocupa pouco espaço na grande mídia nacional. E, em política, quem não ocupa espaço, dificilmente ocupa o imaginário do eleitor.
O desafio, portanto, é duplo. De um lado, ampliar sua presença e apresentar um projeto consistente de país. De outro, calibrar o discurso. Ser firme sem ser excessivo. Ser crítico sem perder a capacidade de diálogo. Ser oposição, sem abrir mão de ser alternativa.
Porque, no cenário nacional, não basta ser duro. É preciso ser convincente e, acima de tudo, ser viável.
(*) Luiz Carlos Bordoni é Jornalista



