Com o nome de “Operação Fúria Épica”, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou, neste sábado (28), o início de uma ofensiva militar de grande escala contra o Irã. A campanha, coordenada com Israel, representa uma das mais significativas escaladas militares no Oriente Médio nas últimas décadas e sinaliza uma mudança estratégica explícita na política externa de Washington.
De acordo com a agência espanhola Agência EFE, a operação teve início nas primeiras horas de hoje, após meses de negociações diplomáticas que não produziram avanços substanciais quanto ao programa nuclear iraniano, ao desenvolvimento de mísseis balísticos e ao apoio de Teerã a grupos armados aliados na região.
Em pronunciamento à nação, o presidente Donald Trump afirmou que o objetivo central da ofensiva é “eliminar ameaças iminentes do regime iraniano”, mencionando explicitamente a intenção de neutralizar o programa de mísseis e a capacidade naval da República Islâmica. O presidente reconheceu que a operação pode resultar em baixas entre militares norte-americanos mobilizados na região, o que indica a expectativa de confrontos prolongados.
Dimensão estratégica e militar
Fontes do Pentágono indicam que foram mobilizados caças de última geração, destróieres e dois porta-aviões: o USS Gerald R. Ford e o USS Abraham Lincoln. A presença desses grupos de ataque reforça a capacidade de projeção de poder dos Estados Unidos no Golfo Pérsico e amplia o alcance operacional contra alvos estratégicos iranianos.
Um dos focos declarados é impedir que o Irã utilize sua Marinha para bloquear o Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde transita aproximadamente um quinto do petróleo comercializado globalmente. Qualquer interrupção nesse ponto crítico teria impactos imediatos sobre os preços internacionais da energia e a estabilidade econômica global.
Coordenação com Israel
Paralelamente, o governo israelense denominou sua participação como “Operação Rugido do Leão”. Essa diferenciação nominal sugere uma estrutura de comando paralela, embora coordenada, refletindo tanto a autonomia estratégica de Israel quanto a necessidade de comunicação política distinta para públicos domésticos diferentes.
A cooperação militar entre Washington e Tel Aviv ocorre em um contexto de crescente preocupação israelense com o avanço do programa nuclear iraniano e com o fortalecimento de grupos apoiados por Teerã, como Hezbollah e milícias na Síria e no Iraque. Para Israel, a neutralização da infraestrutura militar iraniana é vista como questão existencial.
Antecedentes recentes
A atual ofensiva supera em escopo e intensidade a chamada “Operação Martelo da Meia-Noite”, realizada em junho, quando forças norte-americanas atacaram instalações nucleares estratégicas em Fordo, Natanz e Isfahan. Na ocasião, os ataques foram cirúrgicos e limitados a alvos específicos do programa nuclear.
Agora, a meta declarada vai além da contenção nuclear: trata-se de alterar o equilíbrio regional de poder, enfraquecendo estruturalmente o regime dos aiatolás. Essa mudança de objetivo aproxima a campanha de uma estratégia de “mudança de regime”, historicamente associada a intervenções de alto custo político e militar.
Implicações geopolíticas
A ofensiva ocorre em um cenário internacional já marcado por rivalidades entre grandes potências. Rússia e China mantêm laços estratégicos com Teerã e podem reagir diplomaticamente — ou mesmo economicamente — à escalada norte-americana. Além disso, países do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, observam o conflito com cautela, divididos entre o interesse em conter o Irã e o temor de retaliações regionais.
O desenrolar da operação poderá redefinir alianças, impactar mercados energéticos e ampliar a instabilidade em uma região historicamente volátil. Caso o conflito se prolongue, há risco de envolvimento indireto de outros atores estatais e não estatais, transformando a ofensiva em um confronto regional de maiores proporções.
