A crise interna do Supremo Tribunal Federal provocada pelo caso Banco Master poderá ter impacto decisivo na eleição presidencial de outubro, segundo análise publicada pelo jornal britânico Financial Times. A reportagem descreve o confronto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça como uma disputa acirrada, capaz de abalar a credibilidade da Corte e interferir na polarização eleitoral.
De acordo com o Financial Times, em reportagem repercutida pela CNN Brasil, a crise ganhou força após a divulgação de supostos contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e apontado como personagem central de uma fraude bancária bilionária.
As mensagens foram tornadas públicas por decisão de Mendonça, relator das investigações sobre o banco. O material indicaria que Vorcaro procurou Moraes em busca de ajuda antes de ser preso. O ministro reagiu acusando o colega de abuso de autoridade e de conduzir investigações com motivação política.
Para o jornal britânico, o episódio lança uma sombra sobre a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Embora Lula não seja acusado de envolvimento no caso Master, seus adversários procuram associá-lo a Moraes e à atuação do Supremo.
O Financial Times considera que o escândalo atinge um ponto vulnerável da campanha do presidente, que já foi preso por corrupção antes de ter suas condenações anuladas. Ao mesmo tempo, observa que Flávio Bolsonaro também aparece relacionado às investigações, devido aos pagamentos feitos por Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na avaliação do jornal, a crise revitalizou politicamente a direita, que há anos acusa Moraes de perseguir conservadores e restringir a liberdade de expressão. A esquerda, por sua vez, sustenta que Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, estaria utilizando decisões judiciais para favorecer a candidatura de Flávio.
A reportagem ressalta que o caso compromete a imagem de uma instituição anteriormente elogiada no exterior por sua atuação contra a tentativa de ruptura institucional depois das eleições de 2022. Agora, o próprio Supremo tornou-se alvo de suspeitas e enfrenta um confronto aberto entre dois de seus integrantes.
O Financial Times também destaca o poder acumulado por Moraes nos últimos anos e recorda o contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua mulher. O ministro já negou ter atuado em favor da instituição financeira.
A leitura central do jornal britânico é que o caso deixou de ser apenas um escândalo bancário. Transformou-se em uma crise institucional e eleitoral, envolvendo a independência do Judiciário, a credibilidade do STF e os dois principais candidatos à Presidência.


