O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, passou a ser formalmente investigado no Supremo Tribunal Federal por suspeitas relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração abrange possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos.
Segundo a CNN Brasil, a abertura do inquérito foi determinada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho, a pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A decisão estava sob sigilo, mas sua existência se tornou conhecida depois que o ministro deu publicidade a documentos ligados à investigação principal do caso Banco Master.
O novo inquérito procura esclarecer se Flávio Bolsonaro participou da obtenção ou da destinação de recursos transferidos pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para a produção do filme. Os investigadores apuram repasses de milhões de reais que teriam sido realizados a pedido do senador.
A suspeita surgiu no curso das investigações sobre o Banco Master e ganhou força após relatórios de inteligência financeira apontarem movimentações entre Vorcaro e pessoas ou empresas relacionadas ao projeto cinematográfico. Parte desses pagamentos teria sido realizada no exterior, circunstância que levou a PF a investigar também uma possível evasão de divisas.
Informações publicadas pela revista piauí, pelo Correio Braziliense e por outros veículos apontaram que os repasses atribuídos a Vorcaro poderiam alcançar entre US$ 12,3 milhões e US$ 14 milhões. A origem, o caminho e a finalidade exata dos recursos ainda estão sob investigação, e a existência das transferências, isoladamente, não comprova a prática de crimes.
A produção de “Dark Horse” tornou-se objeto de duas frentes distintas de apuração no Supremo. André Mendonça conduz o inquérito relacionado ao dinheiro proveniente de Vorcaro e às possíveis conexões com o caso Banco Master.
O ministro Flávio Dino, por sua vez, ficou responsável por outra investigação, voltada para a suspeita de que emendas parlamentares tenham sido destinadas à produtora encarregada do filme. Essa apuração procura esclarecer se recursos públicos foram repassados direta ou indiretamente à obra e se houve alguma irregularidade na destinação das verbas.
No dia 10 de setembro, a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará. A operação, autorizada por Dino, teve como alvos pessoas ligadas ao financiamento de “Dark Horse”, entre elas o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, responsável pela produtora do filme.
As investigações também passaram a alimentar uma disputa dentro do próprio Supremo. Decisões tomadas por diferentes ministros sobre a atuação da Polícia Federal, o compartilhamento de provas e a condução dos inquéritos provocaram divergências na Corte e questionamentos sobre a competência de cada relator.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades e sustenta que as apurações têm motivação política. Após a operação autorizada por Dino, o senador anunciou que pediria ao presidente do STF, Edson Fachin, uma investigação sobre a atuação do ministro, a quem acusou de interferir no processo eleitoral. Dino não é investigado e suas decisões foram tomadas no exercício da relatoria.
Até o momento, não houve denúncia nem condenação contra Flávio Bolsonaro nesse caso. A investigação encontra-se na fase de coleta e análise de documentos, registros bancários, comunicações e outros elementos apreendidos pela Polícia Federal.
O ponto central da apuração é determinar de onde vieram os recursos utilizados na produção de “Dark Horse”, como o dinheiro chegou aos responsáveis pelo filme e se houve participação de agentes políticos na operação. Também caberá aos investigadores verificar se os valores tinham origem lícita e se recursos privados e públicos foram misturados no financiamento da cinebiografia.



