Brasília, 15/06/2026

Flávio garante que dinheiro de Vorcaro foi para o filme sobre trajetória do pai

O senador Flávio Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (14), em entrevista à GloboNews, que os recursos destinados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, foram utilizados exclusivamente no projeto cinematográfico.

Segundo Flávio, o dinheiro foi direcionado para um fundo criado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, responsável também pelo processo migratório de Eduardo Bolsonaro no país. O senador negou que os recursos tenham sido usados para custear despesas pessoais do irmão, que vive atualmente em território norte-americano.

A declaração ocorre após reportagem publicada pelo Intercept Brasil revelar trocas de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, além de detalhes sobre a estrutura financeira montada para viabilizar o longa-metragem. De acordo com a publicação, cerca de R$ 61 milhões teriam sido destinados ao projeto por meio da empresa Entre Investimentos e Participações e do fundo Havengate Development Fund LP, registrado no Texas.

Durante a entrevista, Flávio afirmou que sua participação no projeto limitou-se à busca de investidores para viabilizar o filme sobre o pai. Segundo ele, a produção pretende retratar a trajetória de Jair Bolsonaro e apresentar uma homenagem ao ex-presidente.

O senador também justificou a participação do advogado ligado a Eduardo Bolsonaro na estrutura do fundo internacional. Segundo Flávio, a operação exigia suporte jurídico e administrativo nos Estados Unidos, incluindo questões burocráticas e legais relacionadas ao financiamento do projeto.

O caso ganhou repercussão nacional devido às investigações envolvendo Daniel Vorcaro. O banqueiro está preso em Brasília e é alvo de apurações relacionadas a supostas fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, além de suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e ligações com fundos associados a organizações criminosas.

As investigações também atingiram Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, preso sob suspeita de financiar um grupo acusado de espionagem e intimidação de adversários políticos e empresariais.

Questionado sobre as mensagens divulgadas pela reportagem, Flávio Bolsonaro afirmou que mantinha um acordo de confidencialidade relacionado ao filme e, por isso, evitava comentar publicamente sua relação com Vorcaro. O senador alegou que todos os contatos entre os dois tratavam exclusivamente do projeto cinematográfico.

Flávio também afirmou que desconhecia qualquer suspeita contra o banqueiro quando iniciaram contato, em dezembro de 2024. Sobre mensagens em que chama Vorcaro de “irmão” e “mermão”, o parlamentar argumentou que as expressões fazem parte do linguajar informal carioca e não indicam necessariamente proximidade pessoal.

A entrevista ocorreu em meio ao aumento da pressão política e jurídica sobre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e diante das investigações envolvendo operadores financeiros ligados ao caso Master. Nos bastidores, o episódio é visto como mais um fator de desgaste para o grupo político bolsonarista, especialmente pela ligação entre o financiamento do filme e um empresário investigado pela Polícia Federal.

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