Luiz Carlos Bordoni
A reunião entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), nesta quarta-feira (25), redesenhou o tabuleiro político em Goiás. Flávio veio para comunicar oficialmente que o senador Wilder Morais será o candidato dos bolsonaristas ao Governo do Estado em 2026, desfazendo o entendimento anterior construído em torno da candidatura de Daniel Vilela (MDB).
O gesto teve tom de constrangimento. Flávio afirmou não ter palavras para se desculpar com Caiado, já que havia participado das articulações que previam apoio à chapa de Daniel, com o deputado federal Gustavo Gayer (PL) compondo dobradinha ao Senado com Gracinha Caiado (União Brasil). O novo cenário, porém, foi imposto após a entrada decisiva de Valdemar da Costa Neto nas tratativas e o apoio público de Eduardo Bolsonaro à candidatura de Wilder.
Com isso, ruíram não apenas os acordos majoritários, mas também os entendimentos sobre a formação das chapas proporcionais. O movimento evidencia que a estratégia nacional do PL prevaleceu sobre os arranjos regionais.
Do ponto de vista presidencial, a escolha suscita dúvidas. Para Flávio Bolsonaro, é mais vantajoso estar no palanque de Daniel Vilela, hoje líder nas pesquisas, ou no de Wilder Morais, que aparece em terceiro lugar? Os aliados defendem a tese do palanque “puro-sangue”, ideologicamente alinhado ao bolsonarismo raiz. Mas afinidade ideológica compensa eventual perda de competitividade eleitoral?
No conflito de interesses, Wilder ganha protagonismo e consolida-se como o nome do PL em Goiás. Daniel Vilela perde o apoio formal do bolsonarismo, mas pode ampliar espaço ao centro. Caiado preserva sua coerência política, embora veja frustrada a construção anterior.
Já Flávio assume o risco calculado de apostar na fidelidade ideológica em detrimento da aritmética eleitoral. Em política, nem sempre pureza garante vitória — e Goiás passa a ser mais um teste dessa equação.


