A tentativa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro de fechar um acordo de delação premiada sofreu um revés nesta quarta-feira (20), após a Polícia Federal rejeitar oficialmente a proposta apresentada por sua defesa. Segundo reportagem da CNN Brasil, a avaliação da corporação é de que Vorcaro omitiu informações importantes e não trouxe elementos novos capazes de contribuir de forma efetiva para as investigações sobre o esquema de fraudes financeiras.
Preso desde março, o ex-banqueiro segue negociando diretamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda mantém abertas as conversas sobre uma possível colaboração premiada. Nos bastidores, investigadores consideram que o conteúdo entregue até agora foi seletivo e deixou de fora personagens centrais do caso.
Entre os principais pontos em discussão estão o ressarcimento de valores estimados em cerca de R$ 50 bilhões, a possibilidade de prisão domiciliar durante o andamento do processo e o alcance político das revelações.
A situação de Vorcaro se agravou após a Polícia Federal identificar omissões envolvendo figuras políticas de peso. Um dos episódios envolve o senador Ciro Nogueira. Segundo investigadores, o parlamentar teria atuado em favor de interesses ligados ao Banco Master ao apresentar proposta para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), medida que beneficiaria instituições financeiras em dificuldades.
Outro foco de tensão envolve o senador Flávio Bolsonaro. Reportagem do Intercept Brasil revelou mensagens e documentos indicando negociações entre Vorcaro e o parlamentar para um aporte de R$ 134 milhões destinado ao financiamento do filme “Dark Horse”. Parte dos recursos, estimada em R$ 61 milhões, já teria sido transferida.
Na terça-feira (19), Flávio admitiu ter se encontrado com Vorcaro em dezembro do ano passado, quando o ex-banqueiro já estava em prisão domiciliar. O encontro e as movimentações financeiras, porém, não teriam sido mencionados por Vorcaro durante as tratativas da delação.
A transferência do ex-banqueiro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, também foi interpretada como um sinal do desgaste entre a defesa e os investigadores. Integrantes da PF avaliam que Vorcaro tenta preservar aliados políticos e empresariais, enquanto busca benefícios judiciais nas negociações com a PGR.
Apesar da rejeição da PF, fontes ligadas ao caso afirmam que a Procuradoria-Geral da República ainda vê potencial em uma eventual colaboração, sobretudo pela possibilidade de atingir integrantes do Congresso Nacional e autoridades com foro privilegiado.


