O candidato do PSB ao governo de Pernambuco, João Campos, afirmou nesta quinta-feira (27), em entrevista ao SBT News, que a estratégia adotada pela principal adversária, a governadora Raquel Lyra (PSD), tem características do bolsonarismo e da extrema-direita.
O ex-prefeito do Recife também atribuiu parte da queda de sua candidatura nas pesquisas de intenção de voto a uma série de ataques que, segundo ele, são coordenados há mais de um ano e meio contra sua imagem nas redes sociais.
João Campos disse ainda que “toda a direita pernambucana e o bolsonarismo” estão reunidos no palanque de Raquel Lyra. A declaração ocorre em meio à disputa pela liderança nas pesquisas eleitorais: levantamentos recentes apontaram uma inversão no cenário, com a governadora passando à frente do candidato do PSB.
Durante a entrevista, Campos voltou a acusar o governo estadual de manter uma estrutura de ataques contra adversários políticos, que teria utilizado recursos públicos. A Frente Popular de Pernambuco anunciou nesta quinta medidas judiciais e administrativas para apurar as denúncias relacionadas à suposta existência de um “gabinete do ódio” dentro da estrutura do governo.
A campanha de Raquel Lyra contesta as acusações. Em nota, afirmou que o PSB estaria recorrendo a “velhas práticas” e substituindo o debate de propostas por acusações sem provas.
Segundo a campanha, as ações anunciadas por Campos seriam baseadas em uma denúncia sem comprovação. A defesa de Raquel afirma ainda que foi a própria governadora quem determinou a exoneração imediata do servidor citado nas denúncias e a apuração dos fatos.
A campanha declarou que pretende recorrer à Justiça contra o que considera “mentiras” e afirmou que a governadora seguirá concentrada em apresentar resultados e trabalhar pela população de Pernambuco.
Campos fala em ataques coordenados
João Campos afirmou que os ataques contra ele começaram depois de sua reeleição para a Prefeitura do Recife, quando obteve quase 80% dos votos. Segundo o candidato, a ofensiva teria sido estruturada para promover sua “desidratação política”.
“Há mais de um ano e meio, eu venho sendo vítima recorrente de ataques criminosos por uma rede de ódio que comete calúnia, difamação e que supostamente é financiada por recursos públicos”, afirmou.
O candidato citou uma reportagem que, segundo ele, revelou a atuação de um servidor federal cedido ao governo de Pernambuco. Campos afirmou que o servidor teria relatado participação na coordenação de ataques contra ele e reuniões com integrantes do governo estadual.
Para o candidato, a situação precisa ser investigada pela Justiça Eleitoral, pela Controladoria-Geral da União (CGU), pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pelo Ministério Público e pelos órgãos de controle estaduais.
Campos também rejeitou a possibilidade de que as medidas tenham como objetivo retirar Raquel Lyra da disputa eleitoral. Segundo ele, a intenção é garantir investigação e responsabilização de eventuais envolvidos.
“A gente não tá aqui para perseguir absolutamente ninguém. Agora, a gente não tá aqui para sofrer e ser vítima de violência”, disse.
Campos afirmou que o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, a partir desta sexta-feira (28), será uma oportunidade para apresentar ao eleitorado suas propostas e resultados obtidos durante a gestão do Recife.
Direita no palanque de Raquel
Ao ser questionado sobre a estratégia para recuperar eleitores identificados com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que atualmente optam por Raquel Lyra, Campos voltou a explorar a divisão política entre os dois palanques.
O candidato afirmou que sua aliança com Lula representa não apenas uma parceria eleitoral, mas uma convergência de pautas e projetos.
“Eu tenho muito orgulho do time que está comigo, do presidente que eu apoio, do partido que eu presido”, disse.
Em seguida, afirmou que a direita pernambucana está concentrada na candidatura adversária.
“Toda a direita pernambucana e o bolsonarismo tá reunido no palanque da nossa adversária”, declarou.
Campos disse que, de um lado, está o “campo democrático progressista” e, do outro, a direita e o bolsonarismo. Para ele, os ataques dos quais afirma ser vítima também teriam características de movimentos de extrema direita.
“Isso é exatamente o que você vê em regimes autoritários”, afirmou.
Lula em Pernambuco
João Campos também afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá participar da campanha em Pernambuco. Segundo ele, a presença do presidente está sendo organizada pela direção nacional da campanha de acordo com a estratégia eleitoral.
O candidato afirmou que Lula tem papel importante na formação da Frente Popular de Pernambuco e na consolidação dos apoios partidários à sua candidatura.
Campos aposta ainda no vínculo político com o presidente para atrair eleitores lulistas que, segundo as pesquisas, atualmente estão divididos entre ele e Raquel Lyra.
Durante a entrevista, Campos se esquivou de responder se sonha em disputar a Presidência da República e afirmou que seu objetivo imediato é governar Pernambuco.
Ele também declarou acreditar na reeleição de Lula em 2026 e projetou uma eventual participação na construção da sucessão presidencial em 2030.
“Eu tenho o sonho de poder governar Pernambuco e de poder fazer o melhor mandato que alguém pode fazer no Estado”, afirmou.
O candidato disse ainda que, caso seja eleito, pretende governar Pernambuco ao mesmo tempo em que Lula comandaria o país em um eventual quarto mandato.

