Euler França Belém – Jornal Opção
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, vive uma situação complicada. Sob pressão de Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas pode ser candidato a presidente da República, em 2026, daqui a um ano e seis meses. Terá de se desincompatibilizar em 4 de abril de 2026, ou seja, daqui a ano.
Sem o governo de São Paulo, seu grande cartão de visita, Tarcísio de Freitas perderá força se enfrentar um peso pesado como Lula da Silva (o petista-chefe de 2025, com intenso desgaste, certamente não será o mesmo de 2026).
Se for derrotado para presidente, o que fara, na sequência? Disputará a Prefeitura de São Paulo em 2028? Ninguém sabe, é claro, pois o futuro nem a Deus pertence.
Porém, há outro problema. Eminência parda do governo de Tarcísio de Freitas, Gilberto Kassab é um articulador de primeira linha. Mas não é um político popular. Para ser eleito, precisa ser empurrado por líderes populares, como Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo (que, por sinal, também não é lá tão popular e foi eleito, em 2022, “empurrado” pelo bolsonarismo).
Gilberto Kassab tem dito que, se Tarcísio de Freitas for candidato a presidente, irá a governador de São Paulo. Mas e se surgir uma pedra, altamente popular, no caminho de Gilberto Kassab. Mas qual pedra, afinal?

Como se sabe, Pablo Marçal está, no momento, inelegível, por decisão da Justiça Eleitoral de São Paulo. Mas há quem postule que, quando o processo chegar em Brasília, a decisão paulista poderá ser revogada.
Se for candidato, Pablo Marçal será um páreo terrível para Gilberto Kassab. Polêmico e corajoso, ele bate tão duro quanto Mike Tyson e Francis Ngannou. O presidente nacional do PSD terá couro grosso o suficiente para resistir aos seus petardos? É provável que não.
Conta-se, em São Paulo, que os tarcisistas e os kassabistas estão operando para evitar que Pablo Marçal se filie a um grande partido. Porque, se isto ocorrer, será um páreo duríssimo para Gilberto Kassab e, mesmo, para Tarcísio de Freitas. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, perdeu as estribeiras com as críticas “atômicas” do jovem político e empresário goiano. Ele é capaz de fazer qualquer tipo de pergunta, as mais desconcertantes possíveis.
O “cerco” é considerado grande. Mas, se conseguir se filiar ao União Brasil de Antônio Rueda e do governador de Goiás, Ronaldo Caziado, Pablo Marçal será um candidato a governador temível.
Em 2024, na disputa pela Prefeitura de São Paulo, sem nenhuma estrutura partidária, exceto a que ele mesmo articulou, Pablo Marçal ficou em terceiro lugar, mas foi bem votado e deu um trabalhão danado tanto para o prefeito Ricardo Nunes, do MDB, quanto para Guilherme Boulos, do Psol (bancado pelo PT do presidente Lula da Silva).
Pablo Marçal colocou todos os candidatos na roda, inclusive o apresentador de televisão José Luiz Datena, que, pego no contrapé, mostrou sua faceta violenta, agredindo o rival fisicamente. Daqui a um ano e seis meses, se puder ser candidato, certamente fará o mesmo. Com o detalhe de que estará mais experiente e poderá contar com uma estrutura multiplicada, com o apoio de um grande partido, como o União Brasil. (E.F.B.)