Brasília, 07/03/2026

Maduro pede a Trump que reduza as tensões

Nicolás Maduro pediu na quinta-feira aos Estados Unidos que evitem uma nova confrontação e solicitou ao presidente Donald Trump que se junte aos esforços pela paz regional. Ele transmitiu a mensagem durante um comício em Caracas, onde também respondeu a perguntas da CNN e reiterou sua rejeição à escalada de conflitos armados em todo o mundo.

“Chega de guerras intermináveis, chega de guerras injustas, chega da Líbia, chega do Afeganistão, viva a paz!”, declarou ele aos seus seguidores.

O presidente venezuelano fez um apelo aos povos de ambos os países para que se “unissem pela paz no continente”, enviando também uma mensagem direta à Casa Branca. Quando questionado sobre o que diria a Trump, ele afirmou: “Minha mensagem é: Sim, paz! Sim, paz!”

Maduro afirmou que seu governo permanece focado em assuntos internos, sem se deixar distrair pela possibilidade de uma intervenção militar.

“Estamos ocupados com o povo, governando com paz”, disse ele à CNN quando questionado se temia agressões dos Estados Unidos.

Essas declarações surgem em meio a um destacamento militar no Caribe, organizado pela Casa Branca, que envolve um porta-aviões, vários navios de guerra, caças e fuzileiros navais, totalizando 15.000 soldados.

Washington afirma que essa ação visa conter o tráfico de drogas na região e acusa o governo venezuelano de ser o líder do chamado Cartel dos Sóis, classificado pelos EUA como organização terrorista.

Como parte dessas operações, as Forças Armadas dos EUA realizaram pelo menos 20 ataques contra embarcações suspeitas de transportar narcóticos no Caribe e no Pacífico, resultando em aproximadamente 80 mortes. O incidente mais recente, divulgado pelo Pentágono nesta quinta-feira, ocorreu na segunda-feira e resultou na morte de quatro ocupantes de uma embarcação destruída pelas forças americanas.

A CNN também noticiou que o governo Trump está avaliando opções para atingir instalações de tráfico de drogas na Venezuela. No entanto, autoridades americanas reconheceram perante o Congresso que não há justificativa legal clara para tais ações, embora estejam analisando como uma eventual autorização poderia ser embasada.

A resposta venezuelana

Em resposta a essas ações, o governo Maduro mobilizou tropas em larga escala e milícias civis. Tanto as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas — que contam com aproximadamente 123.000 militares — quanto as forças de reserva estão realizando exercícios em todo o país para se prepararem para qualquer eventualidade.

O presidente venezuelano afirma que suas milícias voluntárias somam mais de oito milhões de pessoas, embora especialistas questionem tanto esse número quanto o nível de preparo.

Uma operação em expansão

Por sua vez, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou na quinta-feira o início da Operação Southern Spear, sem oferecer detalhes adicionais sobre seu alcance ou impacto nas forças desdobradas.

“Esta missão defende nossa pátria, expulsa os narcoterroristas do nosso hemisfério e protege nossa pátria das drogas que estão matando nosso povo. O Hemisfério Ocidental é a vizinhança da América, e nós o protegeremos”, declarou ele por meio de sua conta no Facebook.(EN)

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