Brasília, 07/03/2026

Marina Silva deve deixar a Rede Sustentabilidade e se candidatar ao Senado por São Paulo

Ministra do Meio Ambiente e Combate à Mudança no Clima, Marina Silva.
Ministra do Meio Ambiente e Combate à Mudança no Clima, Marina Silva.| Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasil de Fato

Diante da resistência do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em se candidatar nas próximas eleições, um nome forte tem surgido nos bastidores para a disputa ao Senado Federal pelo estado de São Paulo: a ministra do Meio Ambiente e Combate à Mudança no Clima, Marina Silva, que nas últimas eleições foi eleita deputada federal dos paulistas. A interlocutores, Marina já descartou a possibilidade de se candidatar à reeleição do mandato na Câmara.

Por outro lado, aliados de Marina destacam que a candidatura não dependeria da decisão de Haddad ser candidato, mas de uma série de outros fatores que podem definir o futuro político da ministra, entre os quais, a permanência na Rede Sustentabilidade, partido que ajudou a fundar. Disputas internas têm marcado a relação de Marina com a atual direção da legenda.

Com isso, partidos do campo da esquerda começaram a se movimentar para atrair a ministra para suas fileiras. O Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual Marina foi filiada durante aproximadamente 25 anos, já sonda a possibilidade de um retorno triunfal da ministra à agremiação.

Ao Brasil de Fato, Paula Coradi, presidente do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), que atualmente é federado com a Rede Sustentabilidade, confirmou que o partido fez o convite a Marina. “Seria um grande nome para concorrer ao Senado em SP”, afirmou.

Partido Socialista Brasileiro (PSB) também têm conversado com aliados de Marina para uma possível filiação da ministra.

Marina Silva iniciou sua militância política ainda jovem, no estado natal, o Acre. Fundou o PT no estado ao lado do seringueiro, ambientalista e líder sindical Chico Mendes, assassinado em 1988. Em 1989 se elegeu ao primeiro cargo público, como vereadora da Rio Branco (AC). Foi deputada estadual dos acreanos (1991-1995), senadora (1995-2011), ministra do Meio Ambiente nos primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 2003 a 2008, quando deixou o governo por divergências em relação à construção da hidroelétrica de Belo Monte.

Foi candidata à Presidência da República em 2010 pelo Partido Verde, tendo ficado no terceiro lugar. Em seguida, fundou a Rede Sustentabilidade. Nas eleições de 2022, foi eleita deputada federal por São Paulo, e desde sua posse está licenciada para ocupar pela segunda vez a chefia do MMA.

Crise na Rede

Em dezembro do ano passado, o grupo Rede Vive, ligado à ministra, divulgou uma nota pública em que critica as mudanças no estatuto do partido, promovidas no último congresso da legenda. Segundo o documento, as novas normas representam a “consolidação de um projeto de captura institucional” que retira a autonomia de estados e municípios para concentrar decisões na cúpula nacional.

O grupo afirma que o processo foi confuso e sem clareza sobre o que estava sendo efetivamente votado pelos participantes. Eles relatam que a sigla passou a ser uma estrutura vertical e hierarquizada, o que fere os princípios originais da legenda. A nota cita a abertura de processos de expulsão contra sete dirigentes e o bloqueio de novos registros de filiados. O manifesto destaca que as ações da gestão nacional ignoram a “radicalização da democracia e busca de tomada de decisões via consenso progressivo”.

Um dos pontos de maior tensão envolve justamente a ministra e deputada federal Marina Silva. O texto aponta que uma regra específica foi criada para prejudicá-la nas eleições de 2026. A norma prioriza parlamentares com ao menos dois anos de exercício no cargo, o que descartaria Marina, que atuou como ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima nos últimos anos. Os autores classificam essa medida como um ataque direto que sinaliza que “qualquer dissidência pode ser silenciada”.

“Por meio de emenda casuística, a direção nacional estabeleceu critérios para priorização eleitoral em 2026, aplicando a nova regra apenas a parlamentares que tenham exercido o mandato por ao menos dois anos, com o objetivo evidente de excluir Marina Silva, apesar de seu papel central na projeção nacional do partido e na construção da agenda socioambiental no País”, diz o texto, esclarecendo, portanto, que, nos últimos três anos, a deputada esteve licenciada do mandato parlamentar para exercer o cargo de ministra do Meio Ambiente.

“Mulher negra, fundadora da Rede, ex-senadora e eleita deputada federal com quase 250 mil votos, ela é responsável pela garantia de parcela expressiva do fundo partidário e eleitoral do partido. Ainda assim, a direção nacional decidiu pela sua exclusão das prioridades para as próximas eleições”, afirma a nota.

Até o momento, 491 filiados assinaram o documento, incluindo deputados federais, estaduais e vereadores.

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