Brasília, 14/06/2026

Master pagou R$ 80 milhões a escritório de esposa de Moraes, apontam dados da Receita

O Banco Master declarou à Receita Federal pagamentos superiores a R$ 80 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. As informações foram reveladas em reportagem de g1 e da TV Globo, assinada por Vinícius Cassela, Vladimir Netto e Marcelo Parreira.

Segundo os dados obtidos pela reportagem, os valores foram informados pelo próprio banco à Receita Federal nos anos de 2024 e 2025, por meio de registros de impostos retidos na fonte — modalidade em que o tributo é recolhido no momento da emissão das notas fiscais de prestação de serviços (g1 e TV Globo).

Os registros foram posteriormente encaminhados à CPI do Crime Organizado, no Congresso Nacional, após a comissão identificar que essas informações não constavam na primeira remessa de dados enviada pelo Fisco (g1 e TV Globo).

Procurado pelos jornalistas, o escritório Barci de Moraes declarou que não confirma “informações incorretas e vazadas ilicitamente”, ressaltando que dados fiscais possuem caráter sigiloso (g1 e TV Globo).

A reportagem também relembra que o jornal O Globo revelou, em dezembro de 2025, a existência de contrato entre o banco, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, e o escritório de advocacia. Documentos indicavam a previsão de pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões por um período de 36 meses.

De acordo com os dados da Receita Federal analisados pela reportagem, os pagamentos efetivamente declarados somaram R$ 80.223.653,84, realizados entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 — ao longo de 22 meses — com parcelas mensais de R$ 3.646.529,72 (g1 e TV Globo).

Ainda segundo as informações fiscais, o Banco Master declarou o recolhimento de R$ 4.933.754,76 em tributos retidos na fonte sobre esses valores (g1 e TV Globo).

Em nota divulgada anteriormente, o escritório de Viviane Barci de Moraes confirmou a prestação de serviços ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. O comunicado afirma que a atuação envolveu consultoria jurídica ampla, realizada por uma equipe de 15 advogados, com 79 reuniões na sede da instituição financeira, além da contratação de outros três escritórios especializados sob sua coordenação (g1 e TV Globo).

No campo político, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou — após reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) — que não haverá prorrogação dos trabalhos da comissão.

Instalada em novembro, a CPI tem encerramento previsto para o dia 14. Segundo Vieira, a decisão foi motivada por possíveis impactos no calendário eleitoral. O relatório final deverá ser apresentado com base nas informações já reunidas pelo colegiado (g1 e TV Globo).

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