Brasília, 14/10/2026

MDB se divide entre Lula e Flávio no segundo turno

O MDB chega ao segundo turno da eleição presidencial dividido entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O racha reflete as alianças regionais do partido, que reúne lideranças ligadas ao governo federal e outras alinhadas à direita.

Em São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes e o vice-governador Felício Ramuth, ambos do MDB, participaram de um evento de apoio a Flávio. O encontro ocorreu no comitê do governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro de Jair Bolsonaro e um dos principais aliados do candidato do PL.

Na outra ponta, os diretórios emedebistas que declararam apoio a Lula estão concentrados no Norte e no Nordeste. Nessas regiões, o partido abriga grupos influentes, como os Calheiros, em Alagoas, e os Barbalho, no Pará, que acompanharam o presidente durante seu terceiro mandato.

A divisão também aparece entre os sete senadores eleitos pelo MDB neste ano. No Amazonas, no Pará e no Piauí, as candidaturas integraram coligações com Lula e o PT. Em Roraima, Sergipe e Tocantins, estiveram alinhadas à oposição local. Na Paraíba, o candidato emedebista recebeu apoio de Lula, embora não participasse formalmente de uma aliança com o presidente.

O quadro mostra que o MDB está longe de atuar como um bloco único na disputa presidencial. As relações com governos estaduais, os interesses das lideranças locais e as alianças construídas durante a campanha ajudam a explicar os movimentos em direções distintas.

Flávio e Lula disputarão o segundo turno em 25 de outubro. Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral apresentados no material, o senador recebeu 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, contra 45,16% do presidente — diferença de 1,87 ponto percentual.

Na busca por novos apoios, Flávio reuniu partidos como Republicanos, PP, União Brasil, Podemos, Novo e Avante. Lula recebeu a adesão de PCB, PSTU e UP, além das legendas que já compunham sua aliança.
Nesse cenário, o apoio das diferentes alas do MDB amplia a presença dos dois candidatos nos estados, mas não representa transferência automática de votos. O desafio de cada campanha será transformar as adesões das lideranças em mobilização do eleitorado.

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