Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que o ex-controlador do Banco Master mantinha uma relação próxima com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Os diálogos, publicados na reportagem de capa da revista Veja desta semana, incluem declarações de amizade, convites para encontros e contatos sobre articulações políticas. A revelação traz novas perguntas sobre a atuação do senador diante das investigações do banco.
Uma das conversas ocorreu em 1º de fevereiro de 2025, quando Alcolumbre foi eleito pela segunda vez presidente do Senado. Vorcaro enviou uma mensagem de parabéns, desejando sucesso ao senador. Na resposta, Alcolumbre agradeceu o carinho e a amizade. Em mensagens posteriores, chamou o banqueiro de irmão e disse que o vínculo seria “pra vida toda”. Vorcaro respondeu que Alcolumbre poderia contar com ele a qualquer momento.
A importância dos diálogos vai além do tom pessoal. Segundo a Veja, eles revelam uma intimidade que contrasta com o distanciamento adotado publicamente por Alcolumbre quando vieram à tona as suspeitas sobre o Master. A revista lembra que o presidente do Congresso não deu andamento aos pedidos de criação de uma CPI para investigar o caso e se recusou a fornecer informações sobre a entrada de Vorcaro no Senado. A reportagem sugere uma relação entre a proximidade e essas decisões, mas as mensagens divulgadas não comprovam, por si, que o senador tenha praticado uma ilegalidade.
Os contatos também alcançavam assuntos ligados ao poder em Brasília. Em julho de 2025, quando o Banco Central examinava a tentativa de compra do Master pelo BRB, Vorcaro procurou saber o que se passava em uma reunião da autoridade monetária. Numa conversa reproduzida pela revista, o banqueiro disse ao presidente da Câmara, Hugo Motta, que havia tentado falar com Alcolumbre. Motta respondeu que Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, iria à casa do senador depois da reunião. O diálogo mostra a busca de Vorcaro por informações, mas não esclarece se Alcolumbre lhe transmitiu alguma.
Em outro registro, Vorcaro perguntou a Alcolumbre se havia notícias de um “nosso amigo”. O senador respondeu que estava fazendo pressão. A identidade desse amigo e o assunto tratado não aparecem nas mensagens divulgadas. Sem esse contexto, não é possível concluir qual era o objetivo da intervenção mencionada pelo presidente do Senado.
A Veja também descreve festas e encontros privados frequentados por pessoas do círculo de Vorcaro. Conversas com o ex-ministro Fábio Faria fazem referências a Alcolumbre em meio aos preparativos desses eventos. A revista relata ainda uma degustação de uísque promovida pelo banqueiro em Londres, em abril de 2024, à margem de um fórum jurídico que reuniu autoridades brasileiras. Faria contestou a interpretação de parte dos diálogos: afirmou que uma conversa sobre suítes de hotel dizia respeito a empresários interessados em um clube de futebol inglês e não tinha relação com Alcolumbre.
Outro trecho da reportagem retoma uma revelação anterior da Veja: uma proposta de delação premiada na qual Vorcaro se oferecia para falar sobre um suposto pagamento de US$ 30 milhões a Alcolumbre no exterior. A proposta não foi aceita, e o suposto pagamento não está demonstrado pelas mensagens apresentadas na reportagem de capa. O senador já havia negado a acusação. veja.abril.com.br
A Presidência do Senado reagiu afirmando que a revista divulgou supostas conversas pessoais que não indicam ilegalidade. Também acusou a publicação de não ouvir adequadamente o senador e anunciou medidas judiciais. A defesa de Vorcaro, por sua vez, criticou o vazamento e a divulgação que considera seletiva de mensagens privadas. Segundo os advogados, relações pessoais ou profissionais não podem ser tratadas automaticamente como prova de crime.
O principal achado da reportagem é a extensão da proximidade entre Alcolumbre e Vorcaro, agora documentada nas conversas obtidas pela PF. O alcance político ou criminal dessa relação depende de apuração adicional: é preciso esclarecer a que se referiam os pedidos de ajuda e se alguma decisão do presidente do Senado foi tomada para beneficiar o banqueiro ou o Banco Master.


