lionel Messi encerrou sua trajetória pela seleção argentina nesta terça-feira (6) como tantas vezes conduziu a equipe: participando de todos os gols. Na vitória por 3 a 0 sobre Benin, no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, o camisa 10 deu duas assistências e marcou de pênalti, fechando uma história de 21 anos que teve frustrações, uma aposentadoria desfeita e a conquista da Copa do Mundo.
Aos 39 anos, Messi deixa a seleção como recordista de partidas e maior artilheiro, com 208 jogos e 126 gols. A Reuters relatou que o capitão se emocionou na despedida, acompanhada por familiares e representantes das gerações argentinas campeãs mundiais em 1978, 1986 e 2022. O adeus encerra sua passagem pela equipe nacional.
O amistoso também marcou a despedida do zagueiro Nicolás Otamendi, autor do primeiro gol. Segundo o relato da Gazeta Esportiva fornecido à reportagem, a partida foi interrompida aos dez minutos do primeiro tempo para uma homenagem a Messi, aplaudido por torcedores e jogadores.
Dentro de campo, a Argentina demorou a transformar a festa em vantagem. Benin criou oportunidades, enquanto Messi tentou abrir o placar em finalizações defendidas pelo goleiro Dandjinou ou que passaram perto das traves. O primeiro tempo terminou sem gols.
Depois do intervalo, o capitão comandou a vitória. Logo no início, cobrou o escanteio que Otamendi aproveitou para marcar. Em seguida, serviu Nico Paz, que ampliou com um chute colocado da entrada da área. Aos 25 minutos, Messi cobrou o pênalti sofrido por Giay, jogador do Palmeiras, e fez o último gol de sua carreira pela seleção.
A despedida vitoriosa contrasta com a estreia, em 2005. Aos 18 anos, contra a Hungria, Messi entrou no segundo tempo e foi expulso apenas 92 segundos depois. Aquele começo inesperado abriu uma trajetória em que o talento reconhecido no Barcelona conviveu, durante anos, com a cobrança por títulos com a camisa argentina.
As derrotas em decisões alimentaram dúvidas e críticas. Em 2014, a Argentina perdeu a final da Copa do Mundo para a Alemanha. Dois anos depois, após outra derrota para o Chile na decisão da Copa América, Messi anunciou que deixaria a seleção.
A decisão durou pouco. O retorno permitiu que o atacante liderasse o período mais vitorioso de sua passagem pela equipe principal. Em 2021, conquistou a Copa América com uma vitória sobre o Brasil no Maracanã, encerrando a longa espera argentina por um grande título.
No ano seguinte, vieram a Finalíssima, diante da Itália, e a conquista que mudou definitivamente sua relação com a seleção: a Copa do Mundo do Catar. Capitão e protagonista, Messi ergueu a taça depois da final contra a França, decidida nos pênaltis. Em 2024, acrescentou outra Copa América ao currículo.
O último jogo reuniu duas pontas dessa história. Otamendi, companheiro da geração campeã mundial, marcou na própria despedida. Nico Paz, representante de uma nova geração, também recebeu um passe do camisa 10 para fazer seu gol.
Messi deixa à Argentina os recordes, os títulos e a lembrança de um capitão que voltou depois de anunciar o fim. No Monumental, sua última contribuição foi também um retrato da carreira: criou para os companheiros e encontrou espaço para marcar.

